Metade agora, metade na tendência
Realizar uma parte e deixar o resto correr não é indecisão — é a regra que mais reduz o arrependimento. Depois de +20%, metade no CDI e metade na régua quase eliminou o pior cenário (−1,8%) e ainda ficou com uma parte das explosões.

A tese: a regra que você consegue seguir vale mais que a regra ótima
A régua da aula anterior tem a melhor média. Mas ela exige uma coisa que muita gente não consegue: ver o lucro subir e depois devolver uma parte, sem fazer nada. Se você sabe que vai abandonar a régua na primeira vez que a posição cair 15% do topo, existe uma versão mais suave, e ela é provavelmente a melhor resposta para a pergunta do aluno da PETR4:
Venda metade quando o ganho atingir um alvo definido antes. Deixe a outra metade seguir a régua até ela virar.
Com isso, os dois arrependimentos possíveis ficam pela metade. Se o papel desabar, você já garantiu metade do ganho. Se o papel virar uma MGLU3, você ainda tem metade dentro. Nenhum dos dois cenários te destrói — e é isso que faz a regra sobreviver na vida real.
Os números: o que a metade faz com o pior cenário
Mesma base: os 3.442 casos da B3 em que o papel já tinha subido 20% em 6 meses, com proventos. Vendendo metade nesse momento (e colocando no CDI) e deixando a outra metade na régua, 24 meses à frente:
- Mediana: +19,7%. Acima dos +15,6% da régua pura e dos +15,4% de quem segurou tudo.
- Média: +27,9%. Abaixo da régua pura (+33,3%): é o custo de ter só metade nos casos que explodiram.
- Os 10% piores: +3,7%. Os 5% piores: −1,8%. Praticamente nenhum cenário de perda relevante.

A metade encurta as duas pontas: o pior cenário sobe de −18,7% para −1,8%, o melhor cai de +83,1% para +54,4%, e a mediana sobe de +15,6% para +19,7%.
Compare com as outras regras no gráfico da aula 5: é a regra com o pior cenário mais próximo de zero entre as que ainda participam das altas. Vender tudo e ir para o CDI tem um pior cenário ainda melhor, mas zero participação nas explosões.
Existe uma troca e ela é honesta: a metade reduz o arrependimento e reduz um pouco a média. Em 24 meses de CDI alto, a diferença entre +27,9% e +33,3% de média existe, mas é menor do que parece para quem vive a carteira. A diferença entre −1,8% e −18,7% no pior cenário é a que faz as pessoas abandonarem a regra.
O mecanismo: por que o alvo deve ser medido em volatilidade
"Vender metade com +20%" funciona como regra de bolso, mas tem um defeito: 20% não significa a mesma coisa em todo papel.
Uma elétrica como a TAEE11 oscila algo como 15% a 20% ao ano. Subir 20% é um movimento enorme para ela — mais de um ano inteiro de oscilação normal. Uma small cap de tecnologia pode oscilar 60% ou 70% ao ano; subir 20% é um mês bom. Usar o mesmo alvo nos dois é realizar cedo demais na small cap e tarde demais na elétrica.
A solução é medir o alvo na unidade do próprio papel: a volatilidade anual. A regra fica:
Venda metade quando o ganho sobre o seu preço médio atingir 1× a volatilidade anual do papel.
- PETR4, com volatilidade na casa de 30% ao ano: metade em +30%.
- Uma elétrica com 18%: metade em +18%.
- Uma small cap com 65%: metade em +65%.
Testamos a versão por volatilidade em todas as viradas da régua para alta da B3: vender metade quando o ganho chegava a 1× a volatilidade anual (medida nos 12 meses anteriores à entrada) e deixar o resto na régua preservou mais da média do que vender tudo no mesmo alvo — o resultado médio por operação ficou em +7,8%, contra +5,3% de vender tudo no alvo e +3,7% de vender tudo nos +20% fixos. A régua pura ficou em +10,2%: ela continua sendo a de maior média, e a metade é o desconto que você paga por dormir melhor. Quem vende tudo num alvo, fixo ou não, sempre perde a cauda.

Quanto mais da posição fica na régua, mais da média sobra. Vender metade no alvo de volatilidade fica entre a régua pura e vender tudo no alvo.
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