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Quando vender uma ação · Aula 6 de 8

Metade agora, metade na tendência

Realizar uma parte e deixar o resto correr não é indecisão — é a regra que mais reduz o arrependimento. Depois de +20%, metade no CDI e metade na régua quase eliminou o pior cenário (−1,8%) e ainda ficou com uma parte das explosões.

por Vinícius Rosa6 min de leituraatualizada em trecho aberto
Metade agora, metade na tendência

A tese: a regra que você consegue seguir vale mais que a regra ótima

A régua da aula anterior tem a melhor média. Mas ela exige uma coisa que muita gente não consegue: ver o lucro subir e depois devolver uma parte, sem fazer nada. Se você sabe que vai abandonar a régua na primeira vez que a posição cair 15% do topo, existe uma versão mais suave, e ela é provavelmente a melhor resposta para a pergunta do aluno da PETR4:

Venda metade quando o ganho atingir um alvo definido antes. Deixe a outra metade seguir a régua até ela virar.

Com isso, os dois arrependimentos possíveis ficam pela metade. Se o papel desabar, você já garantiu metade do ganho. Se o papel virar uma MGLU3, você ainda tem metade dentro. Nenhum dos dois cenários te destrói — e é isso que faz a regra sobreviver na vida real.

Os números: o que a metade faz com o pior cenário

Mesma base: os 3.442 casos da B3 em que o papel já tinha subido 20% em 6 meses, com proventos. Vendendo metade nesse momento (e colocando no CDI) e deixando a outra metade na régua, 24 meses à frente:

  • Mediana: +19,7%. Acima dos +15,6% da régua pura e dos +15,4% de quem segurou tudo.
  • Média: +27,9%. Abaixo da régua pura (+33,3%): é o custo de ter só metade nos casos que explodiram.
  • Os 10% piores: +3,7%. Os 5% piores: −1,8%. Praticamente nenhum cenário de perda relevante.

Faixa de resultados da régua pura e da metade no CDI com metade na régua, 24 meses depois de +20%

A metade encurta as duas pontas: o pior cenário sobe de −18,7% para −1,8%, o melhor cai de +83,1% para +54,4%, e a mediana sobe de +15,6% para +19,7%.

Compare com as outras regras no gráfico da aula 5: é a regra com o pior cenário mais próximo de zero entre as que ainda participam das altas. Vender tudo e ir para o CDI tem um pior cenário ainda melhor, mas zero participação nas explosões.

Existe uma troca e ela é honesta: a metade reduz o arrependimento e reduz um pouco a média. Em 24 meses de CDI alto, a diferença entre +27,9% e +33,3% de média existe, mas é menor do que parece para quem vive a carteira. A diferença entre −1,8% e −18,7% no pior cenário é a que faz as pessoas abandonarem a regra.

O mecanismo: por que o alvo deve ser medido em volatilidade

"Vender metade com +20%" funciona como regra de bolso, mas tem um defeito: 20% não significa a mesma coisa em todo papel.

Uma elétrica como a TAEE11 oscila algo como 15% a 20% ao ano. Subir 20% é um movimento enorme para ela — mais de um ano inteiro de oscilação normal. Uma small cap de tecnologia pode oscilar 60% ou 70% ao ano; subir 20% é um mês bom. Usar o mesmo alvo nos dois é realizar cedo demais na small cap e tarde demais na elétrica.

A solução é medir o alvo na unidade do próprio papel: a volatilidade anual. A regra fica:

Venda metade quando o ganho sobre o seu preço médio atingir 1× a volatilidade anual do papel.

  • PETR4, com volatilidade na casa de 30% ao ano: metade em +30%.
  • Uma elétrica com 18%: metade em +18%.
  • Uma small cap com 65%: metade em +65%.

Testamos a versão por volatilidade em todas as viradas da régua para alta da B3: vender metade quando o ganho chegava a 1× a volatilidade anual (medida nos 12 meses anteriores à entrada) e deixar o resto na régua preservou mais da média do que vender tudo no mesmo alvo — o resultado médio por operação ficou em +7,8%, contra +5,3% de vender tudo no alvo e +3,7% de vender tudo nos +20% fixos. A régua pura ficou em +10,2%: ela continua sendo a de maior média, e a metade é o desconto que você paga por dormir melhor. Quem vende tudo num alvo, fixo ou não, sempre perde a cauda.

Resultado médio por operação de quatro regras de venda, nas viradas da régua para alta

Quanto mais da posição fica na régua, mais da média sobra. Vender metade no alvo de volatilidade fica entre a régua pura e vender tudo no alvo.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.