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Quando vender uma ação · Aula 5 de 8

A régua como regra de venda — e a dor de devolver lucro

Uma linha, uma decisão por mês. Depois de +20%, segurar até a régua virar teve a mesma mediana de quem segurou tudo e cortou o pior cenário de −69% para −19%. O preço é abrir mão de parte da média e ver lucro evaporar antes de sair.

por Vinícius Rosa6 min de leituraatualizada em trecho aberto
A régua como regra de venda — e a dor de devolver lucro

A tese: a melhor regra de venda é a que você consegue seguir sem pensar

As aulas anteriores deixaram duas lições que parecem brigar. Vender cedo corta os casos que pagam a carteira (aula 3). Segurar sem regra te deixa dentro dos desastres (aula 4). A régua mensal resolve as duas ao mesmo tempo, com uma instrução só:

Você fica no papel enquanto ele fecha o mês acima da média exponencial dos últimos 5 fechamentos. Quando um mês fecha abaixo, você sai.

Não tem alvo, não tem previsão de topo, não tem análise de figura. E a decisão acontece uma vez por mês, no último pregão — no resto do tempo, você não precisa fazer nada.

Os números: a régua contra as outras regras

Mesma base da aula 1: os 3.442 casos da B3 em que o papel já tinha subido 20% em 6 meses. A partir desse momento, 24 meses à frente, com os dividendos na conta e o dinheiro vendido indo para o CDI:

As cinco regras lado a lado, depois de +20%

À esquerda, a mediana e a média de cada regra. À direita, em vermelho, o que aconteceu nos 5% piores casos.

  • Segurar até a régua virar: mediana +15,6%, média +33%, e os 5% piores casos em −18,7%.
  • Segurar 24 meses sem regra: mediana +15,4%, praticamente a mesma, e a maior média de todas, +45% — mas os 5% piores em −68,5%.
  • Vender tudo e ir para o CDI: média e mediana de +23%, nunca perde — e nunca pega nenhuma MGLU3.

A régua não é a campeã em nenhum quesito isolado: segurar tem a maior média, e vender para o CDI tem a maior mediana e o pior caso mais confortável. O que ela faz é outra coisa: fica com o caso típico de quem segura e corta quase todo o desastre. Mesma mediana, pior cenário quatro vezes menor. A diferença de média é o prêmio do seguro: com os dividendos na conta, quem segura recebe todos os proventos, e as poucas explosões que a régua pega mais tarde pesam na média.

Em papéis específicos, o efeito aparece no histórico inteiro. Na PETR4 desde 2000, com os dividendos na conta, segurar rendeu 18,0% ao ano com uma queda máxima de 87% no caminho; a régua, com o caixa rendendo Selic quando estava fora, rendeu 17,4% ao ano com queda máxima de 39%. O mesmo retorno com menos da metade da dor.

O mecanismo: por que uma média de 5 meses funciona como saída

A régua não acerta o próximo mês. O que ela faz é evitar a sequência de meses ruins. Quedas grandes quase nunca acontecem num mês só: são uma série de fechamentos abaixo da média. Uma queda de 50% não passa por uma média de 5 meses sem cruzá-la — a régua vira no começo dessa série e te tira antes do resto.

E é mensal de propósito. No gráfico diário, o preço cruza a média várias vezes por mês e cada cruzamento é uma operação com custo. No mensal, a régua vira poucas vezes por ano, e cada virada carrega informação de verdade: o mês inteiro de negócios, de todos os participantes, fechou do outro lado.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.