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Por que e quanto · Aula 1 de 4

Por que ter uma parte fora: o que o IVVB11 fez quando a B3 caiu

O valor de uma parte fora não aparece na média dos anos, aparece nos meses em que a bolsa brasileira apanha. Em 13 dos 18 piores meses do Ibovespa desde 2014, o S&P 500 em reais subiu.

por Vinícius Rosa11 min de leituraatualizada em trecho aberto
Por que ter uma parte fora: o que o IVVB11 fez quando a B3 caiu

Em 1 minuto

  • Uma parte fora não serve para ganhar do Brasil na média: serve para andar diferente nos meses em que a B3 cai.
  • Nos 18 meses desde 2014 em que o Ibovespa caiu mais de 5%, o IVVB11 fez +2,6% na média e o dólar subiu em todos.
  • A proteção falha quando a crise é do mundo, e custa caro em anos de real forte, como 2025.

Ao fim desta aula você vai saber

  • Explicar por que o dólar sobe quando a bolsa brasileira cai
  • Separar crise do Brasil de crise do mundo
  • Calcular o que uma parte fora poupa num mês ruim e custa num ano bom

A tese: a parte fora não existe para render mais, existe para cair diferente

O argumento mais comum para investir fora é o retorno: "o S&P 500 rendeu muito mais que o Ibovespa". Rendeu. De abril de 2014 a agosto de 2026, R$ 100 no IVVB11, o ETF do S&P 500 em reais, viraram R$ 1.062. No BOVA11, o ETF do Ibovespa, R$ 348. Os dois reinvestem os dividendos, então a cota já carrega tudo.

É exatamente esse número que merece desconfiança. O período juntou uma década excelente da bolsa americana com um dólar que foi de R$ 2,24 para R$ 5,18. Nada disso se repete por obrigação. Quem põe dinheiro fora por causa dessa linha está comprando o passado.

A ideia: O valor de uma parte fora não aparece na média dos anos. Aparece nos meses em que a B3 cai.

Esta aula olha só esses meses.

O mecanismo: três forças que fazem o dólar subir quando a B3 cai

1. O investidor estrangeiro sai em reais. Boa parte do dinheiro que compra e vende ações na B3 é de fora. Quando ele decide reduzir o risco Brasil, vende as ações e, no mesmo movimento, vende os reais que recebeu para voltar ao dólar. A bolsa cai e o dólar sobe pelo mesmo motivo, no mesmo dia.

2. A crise brasileira é do real, a do mundo é de todos. Num susto fiscal, político ou eleitoral daqui, só o Brasil apanha: a bolsa local cai, o real cai, e a bolsa americana segue a vida. É o melhor caso para a parte fora. Numa crise global, a bolsa americana cai junto, e só o dólar ainda ajuda. É o caso em que a proteção encolhe.

3. O resultado em reais é o produto das duas coisas. O IVVB11 é o S&P 500 multiplicado pelo dólar. Se o S&P cai 5% e o dólar sobe 8%, o resultado em reais é positivo. A aula 2 deste módulo abre essa conta em detalhe.

Os 18 meses ruins, um a um

Separamos todos os meses de maio de 2014 a agosto de 2026 em que o Ibovespa caiu mais de 5%. Foram 18.

Antes de continuar: Nos 18 meses desde 2014 em que o Ibovespa caiu mais de 5%, em quantos o IVVB11 subiu?

a) Em 4 ou 5: ele costuma cair junto · b) Em metade, uns 9 · c) Em 13

Resposta: Em 13. Em 13 dos 18. Na média desses 18 meses, o Ibovespa fez −9,3% e o IVVB11, +2,6%. E o dólar subiu em todos.

Mês Ibovespa S&P 500 em dólar Dólar × real IVVB11
set/2014 −11,7% −1,6% +9,4% +7,6%
dez/2014 −8,6% −0,4% +3,8% +2,7%
jan/2015 −6,2% −3,1% +0,2% −1,2%
mai/2015 −6,2% +1,0% +6,2% +7,2%
ago/2015 −8,3% −6,3% +7,4% −0,5%
jan/2016 −6,8% −5,1% +3,5% −5,4%
mai/2016 −10,1% +1,5% +4,2% +7,0%
mai/2018 −10,9% +2,2% +7,4% +10,0%
jun/2018 −5,2% +0,5% +3,2% +3,4%
fev/2020 −8,4% −8,4% +5,4% −4,4%
mar/2020 −29,9% −12,5% +15,6% +2,2%
set/2021 −6,6% −4,8% +5,8% +0,4%
out/2021 −6,7% +6,9% +3,7% +11,0%
abr/2022 −10,1% −8,8% +3,8% −4,9%
jun/2022 −11,5% −8,4% +10,8% +1,0%
fev/2023 −7,5% −2,6% +2,1% +0,5%
ago/2023 −5,1% −1,8% +3,8% +3,3%
mai/2026 −7,2% +5,1% +1,4% +6,9%

O S&P 500 aqui é o índice sem dividendos; o IVVB11 inclui os dividendos reinvestidos e o custo do fundo, por isso a última coluna não é exatamente o produto das duas do meio.

−9,3% o Ibovespa, na média dos 18 meses · +5,4% o dólar, na média dos mesmos meses · +2,6% o IVVB11, na média dos mesmos meses

Três casos mostram o mecanismo funcionando de jeitos diferentes:

Maio de 2018. A greve dos caminhoneiros parou o país. O Ibovespa caiu 10,9%. Lá fora, nada de especial: o S&P subiu 2,2%. O dólar subiu 7,4% contra o real, e o IVVB11 fez +10,0%. Crise só do Brasil, o melhor cenário para a parte fora.

Março de 2020. A pandemia derrubou todas as bolsas. O S&P caiu 12,5% em dólar. Mesmo assim, o dólar subiu 15,6%, e o IVVB11 terminou o mês em +2,2%, contra −29,9% do Ibovespa. Numa crise global, a bolsa de fora não protege; a moeda, sim.

Junho de 2022. Juros subindo no mundo. O S&P caiu 8,4% e o Ibovespa, 11,5%. O dólar subiu 10,8%, e o IVVB11 ficou em +1,0%. De novo, a moeda fez o trabalho.

Olhando todos os 61 meses de queda do Ibovespa no período, grandes ou pequenas, o IVVB11 subiu em 45. Mês a mês, os dois tiveram correlação de −0,21. Correlação é uma medida de −1 a +1 de quanto duas coisas sobem e caem juntas no mesmo mês: −0,21 quer dizer que andaram quase independentes, com leve tendência a lados opostos. É o que se quer de uma segunda peça.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.siga no Instagram · @viniciusrosa_88 ↗

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