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Pensamento quant: decidir com números · Aula 2 de 8

Tendência ou reversão à média: cada uma no seu prazo

Na B3, quem mais subiu num mês rendeu menos no mês seguinte; quem mais subiu em 6 meses rendeu mais nos 6 seguintes; e quem mais subiu em 5 anos rendeu menos nos 5 seguintes. A pergunta "tendência ou volta?" só tem resposta com o prazo junto.

por Vinícius Rosa5 min de leituraatualizada em
Tendência ou reversão à média: cada uma no seu prazo

A ideia: as duas frases estão certas

"A tendência é sua amiga." "Tudo que sobe demais volta." Você já ouviu as duas, às vezes da mesma pessoa, na mesma semana. Parecem contraditórias. Não são: cada uma vale num prazo diferente.

Tendência é quando o que subiu continua subindo mais que o resto. Reversão à média (ou volta à média) é o contrário: o que subiu demais passa a render menos, e o que caiu demais passa a render mais. A pesquisa acadêmica documenta as duas coisas há décadas, cada uma no seu horizonte. Quem não diz o prazo não está dizendo nada.

Como medimos

A conta é simples de explicar. Em cada data, ordenamos as ações pelo quanto subiram num prazo (1 mês, 6 meses, 5 anos...). Pegamos os 20% que mais subiram e os 20% que mais caíram. Depois olhamos o que cada grupo rendeu no prazo seguinte, do mesmo tamanho. Se os que subiram continuaram rendendo mais, é tendência. Se os que caíram passaram a render mais, é volta à média.

Para comparar prazos diferentes, a diferença entre os dois grupos foi convertida em pontos percentuais por ano. Usamos o arquivo mensal (385 ações desde 2000) e, para dias e semanas, os pregões diários de 133 ações líquidas entre 2021 e 2026.

A diferença entre vencedores e perdedores, prazo a prazo, do dia aos 5 anos

Verde: quem subiu seguiu rendendo mais. Vermelho: quem caiu passou a render mais. Embaixo, quantas janelas sem sobreposição cada prazo tem.

O que apareceu, prazo a prazo

Dias e semanas: quase moeda. De um pregão para o outro, a diferença foi de −1,7 ponto ao ano, e os vencedores ganharam em 50,2% dos dias. Numa semana, +0,6 ponto. Na prática, zero. O curtíssimo prazo das ações líquidas é quase todo barulho.

Um mês: volta à média. No arquivo mensal, os que mais caíram num mês renderam, no mês seguinte, +1,7% em média, contra +0,9% dos que mais subiram: 9,2 pontos ao ano a favor dos perdedores, em 307 meses. Com os pregões diários das ações líquidas, o sinal foi o mesmo, mais fraco: −4,5 pontos. Parte disso é mecânica de mercado (quem vendeu com pressa num mês paga o desconto que volta no seguinte), e parte é ruído de papel pouco negociado.

De 3 a 12 meses: tendência. Aqui o sinal muda de lado. Os que mais subiram em 6 meses renderam +9,8% nos 6 meses seguintes; os que mais caíram, +4,3%. São 11,0 pontos ao ano, e os vencedores ganharam em 75% das janelas. Em 3 meses, +5,3 pontos; em 12, +4,7. É o momentum, que a aula 8 da Análise técnica apresenta com a evidência internacional e o crash de 2016.

De 2 a 5 anos: volta à média de novo. Quem mais subiu em 5 anos rendeu +46% nos 5 anos seguintes; quem mais caiu rendeu +103%. É a volta de longo prazo que os economistas Werner De Bondt e Richard Thaler descreveram em 1985 nos Estados Unidos: o mercado exagera por anos e depois corrige.

Vencedores e perdedores em três prazos: 1 mês, 6 meses e 5 anos

Retorno médio no período seguinte. O mesmo teste, três respostas.

Por que a régua mensal mora no meio

A régua do Quantor compara o fechamento do mês com a média exponencial dos últimos 5 fechamentos mensais (a aula 1 de Ler o mercado explica). Na prática, ela reage ao que aconteceu nos últimos meses e decide uma vez por mês. É exatamente a faixa de 3 a 12 meses, onde a tendência apareceu nos dados.

Isso explica duas escolhas do método. Decidir no fechamento do mês tira você da faixa de dias e semanas, onde o sinal é zero e cada decisão custa corretagem e nervo. Não segurar uma tendência para sempre evita a faixa de anos, onde o que mais subiu costuma devolver. A régua sai quando o mês fecha abaixo da média, muito antes de cinco anos.

Onde engana

Amostra no longo prazo. Cinco anos em 26 de história dão só 3 janelas independentes. A barra de −11,4 pontos é a mais alta do gráfico e a menos confiável. Leia a direção, não o tamanho.

Sobrevivência de novo. As ações que quebraram não estão no arquivo. Isso favorece justamente o grupo dos perdedores no longo prazo: os que caíram e sumiram não entram para puxar a média para baixo. Parte dos +103% pode ser isso.

Média de grupo não é o seu papel. A tendência de 6 meses aparece na média de dezenas de ações. Num papel específico, a régua pode virar serrote (a aula 1 de Ler o mercado mostra o caso do ITUB4).

Só preço, pesos iguais. Sem dividendos, e com papéis pequenos pesando o mesmo que os grandes. Serve para ver o padrão, não para prometer retorno.

Na prática

1. Diga o prazo antes da opinião. "Vai voltar" em que prazo? "Está em tendência" desde quando?

2. Não use sinal de um prazo para decidir em outro. Uma queda de um dia não diz nada sobre a tendência de 6 meses.

3. Desconfie de "comprar o que caiu no mês". No arquivo, rendeu, mas a média esconde custo, liquidez e papel parado.

4. Não confunda tendência antiga com tendência viva. Quem subiu há 4 anos está na faixa em que o passado joga contra.

No Quantor

A força de 6 e 12 meses, como coluna nos Rankings, mede justamente a faixa em que a tendência apareceu. A régua decide no fechamento do mês. E o bloco Seguir a régua funcionou?, na Técnica da tela Analisar papel, mostra se, naquele papel, seguir a tendência mensal funcionou no histórico.

Tendência e volta à média não brigam. Cada uma tem o seu relógio.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.