Entrar
Os mestres, aplicados à B3 · Aula 10 de 10

Bogle na B3: o índice tem um rival que lá não existe

John Bogle provou que custo baixo é a única vantagem garantida. Na B3 ele continua certo, mas segurar o BOVA11 de 2009 a 2026 rendeu 8,0% ao ano, contra 9,9% do CDI. A régua mensal melhorou o caminho, não o destino.

por Vinícius Rosa4 min de leituraatualizada em trecho aberto
Bogle na B3: o índice tem um rival que lá não existe

A ideia: a aritmética que ninguém consegue contestar

John Bogle fundou a Vanguard em 1975 e, no ano seguinte, lançou o primeiro fundo de índice para o investidor comum. A ideia foi ridicularizada na época e hoje move trilhões de dólares. O argumento dele, repetido em O Investidor de Bom Senso (2007), é de aritmética, não de opinião.

Somados, todos os investidores são o mercado. Então, antes dos custos, o investidor médio ganha o que o mercado ganha. Depois dos custos, ganha menos. O custo é a única parte do retorno que você controla com certeza. Tudo o mais, o talento do gestor, o momento, a sorte, é probabilidade.

A lição vale na B3 como vale em Nova York. O que muda aqui é contra quem o índice compete.

O custo, em reais

Faça a conta com um exemplo hipotético: R$ 100 mil aplicados por 20 anos, com o mesmo retorno bruto de 10% ao ano. A única diferença é quanto sai de custo todo ano.

O mesmo investimento com três custos diferentes

Conta ilustrativa, sem imposto. O retorno bruto é o mesmo nas três barras.

Com custo de 0,1% ao ano, típico de um ETF de índice, o dinheiro vira R$ 659 mil. Com 1%, R$ 550 mil. Com 2%, uma taxa comum em fundos de ações, R$ 449 mil: R$ 210 mil a menos, quase um terço do resultado. E sem contar a taxa de performance que muitos fundos cobram por cima.

Nenhum mês do extrato mostra isso. A diferença aparece inteira no fim.

O teste: o índice contra o CDI

Bogle comparava o fundo de índice com os fundos ativos. Nos Estados Unidos, o dinheiro parado rendeu pouco durante boa parte da carreira dele, e o índice venceu por larga margem. Aqui, o dinheiro parado é o CDI.

O BOVA11, o ETF que acompanha o Ibovespa, é o fundo de índice mais conhecido da B3. Comparamos três caminhos desde abril de 2009:

BOVA11 segurado, BOVA11 com a régua e o CDI

Escala log. O BOVA11 reinveste os dividendos; fora da régua, o dinheiro rende a Selic.

Segurar o BOVA11 rendeu 8,0% ao ano, com pior queda de 44%. O CDI rendeu 9,9% ao ano, sem nenhuma queda. O índice barato, sozinho, perdeu para o dinheiro parado.

E não é um recorte azarado. Medindo todas as janelas de dez anos do Ibovespa desde 1998, a bolsa ganhou do CDI em só 36% delas, como mostrou a primeira aula desta trilha.

Voltar à trilha Os mestres, aplicados à B3Todas as trilhas

Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.