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Juros, DI e renda fixa: a régua de tudo · Aula 12 de 12

Operar juros de verdade: o custo que come a régua

No papel, trocar entre CDI e IPCA+ longo pela régua rendeu 17,2% ao ano. Pelo Tesouro Direto, com a taxa de compra e o imposto de cada venda, caiu para 12,0%, menos do que só segurar o título. Por ETF, ficou em 14,4%. Onde você opera muda a resposta.

por Vinícius Rosa5 min de leituraatualizada em trecho aberto
Operar juros de verdade: o custo que come a régua

A ideia: a régua é a mesma, o pedágio não

A aula 10 mostrou que trocar entre o CDI e o IPCA+ longo pela régua do juro curto rendeu 17,2% ao ano desde 2005. Esse número é do papel: compra e venda pelo mesmo preço, sem imposto. Na vida real, toda troca paga dois pedágios, e o tamanho do pedágio depende de onde você opera. Dependendo do veículo, a melhor regra do teste vira a pior.

Os dois pedágios

A taxa de compra. O Tesouro Direto vende o título um pouco mais caro do que recompra. A diferença parece pequena na taxa (0,12 ponto), mas é multiplicada pela duration. Em 30/09/2026, o IPCA+ 2050 era vendido ao investidor por R$ 968,52 e recomprado por R$ 942,61: 2,7% de diferença. Quem entra e sai paga isso a cada ida.

O imposto de cada venda. No Tesouro, o IR segue a tabela regressiva, de 22,5% até 180 dias a 15% acima de 720 dias, e é cobrado sobre o ganho a cada venda. Quem troca muito vende quase sempre com menos de um ano e paga a alíquota mais alta. Uma venda com prejuízo no Tesouro não abate o imposto de outra. Num ETF de renda fixa, a alíquota depende do prazo médio da carteira, não de quanto tempo você ficou: nos ETFs de títulos longos, é de 15% sobre o ganho, e o custo de uma troca fica perto de 0,2%. São as regras em vigor em 2026; a MP 1303/2025, que mudaria essa tributação, perdeu a validade sem ser votada.

Do papel ao bolso

Refizemos o teste com cada pedágio.

Retorno das estratégias no papel, com atraso, pelo Tesouro Direto e por ETF

Retorno ao ano de dez/2005 a set/2026. Os quatro grupos são o mesmo teste com custos diferentes.

Quatro leituras saem do gráfico:

1. O atraso custa caro. Trocar um mês depois do sinal derruba a régua do pré de 2 anos de 17,2% para 14,8%. Boa parte do ganho vem do primeiro mês depois da virada, quando o título longo dá o salto maior.

2. No Tesouro Direto, a régua rápida perde para segurar. Com taxa de compra e IR, a régua do pré de 2 anos cai para 12,0% ao ano, abaixo dos 12,7% de simplesmente segurar o IPCA+ longo. Ela ainda reduz a pior queda (−29% contra −41%), mas o retorno foi embora no pedágio de 34 trocas.

3. O sinal lento resiste. Seguir a direção do Copom troca só 10 vezes em 20 anos. Pelo Tesouro Direto, rendeu 14,1% com pior queda de −27%: o melhor resultado depois dos custos.

4. Por ETF, a régua volta a valer. Com custo de troca baixo e IR fixo, a régua do pré de 2 anos fica em 14,4% e a do Copom em 14,8%, contra 12,8% de segurar e 9,6% do CDI depois do imposto.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.