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Juros, DI e renda fixa: a régua de tudo · Aula 8 de 9

Inclinação da curva: o formato que quase ninguém lê

A taxa de um título é o número que todo mundo vê. O formato da curva, curto contra longo, é o que diz se o mercado espera cortes, altas ou está cobrando por medo, e como ler tudo isso na aba Juros.

por Vinícius Rosa4 min de leituraatualizada em trecho aberto
Inclinação da curva: o formato que quase ninguém lê

A ideia: o nível é notícia velha, o formato é a notícia

"O Prefixado 2032 está pagando 14,31%." É o tipo de frase que circula, e o número em si diz pouco: ele já está no preço de tudo. O que ajuda a entender o momento é comparar os prazos entre si. A diferença entre o que o mercado cobra para emprestar por pouco tempo e por muito tempo se chama inclinação da curva.

O nível mostra o que o Copom já fez. O formato mostra o que o mercado acha que vem depois, e quanto ele cobra pelo medo. Esta aula fecha a trilha juntando tudo: a curva da aula 2, o juro real da aula 3 e a tela onde você lê isso todo dia.

Três formatos

  • Invertida: os prazos longos pagam menos que os curtos, ou o curto já está abaixo da Selic. O mercado acha que o juro atual é alto demais para durar e espera cortes.
  • Plana: todos os prazos pagam parecido. Sem ciclo à vista.
  • Positiva (ou íngreme): os prazos longos pagam bem mais. Ou o mercado espera altas, ou está cobrando por risco de longo prazo: inflação, contas públicas, eleição.

A ponta curta obedece ao Copom. A ponta longa obedece à confiança, e o Banco Central não controla confiança por decreto.

O formato disse o que vinha

O formato da curva prefixada em set/2016, dez/2020, jun/2023 e set/2026

Cada quadro é a curva do Tesouro Prefixado num dia, até 7 anos de prazo. A linha tracejada é a Selic daquele dia.

Setembro de 2016. Selic em 14,25%. O Prefixado que vencia em janeiro de 2017 pagava 13,75%; o de 2019, 11,70%. Curva invertida, bem abaixo da Selic. O Copom começou a cortar em outubro, e a Selic chegou a 6,5% em março de 2018. Quem travou 11,70% capturou boa parte do ciclo.

Dezembro de 2020. Selic em 2%. A curva ia de 2,08% (um ano) a 6,42% (cinco anos): íngreme. A Selic subiu a partir de março de 2021 e chegou a 13,75% em agosto de 2022. A curva acertou a direção, mas errou muito o tamanho (aula 2).

Junho de 2023. Selic em 13,75%. O Prefixado de meados de 2024 pagava 11,78%; o de 2026, 10,37%. Invertida de novo. Os cortes começaram em agosto de 2023.

Setembro de 2026. Selic em 13,75%. O Tesouro Prefixado ia de 13,66% (2027) a 14,31% (2032). Quase plana, subindo devagar no longo.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.