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Fundamentos sem armadilha · Aula 7 de 14

Fluxo operacional: lucro não paga conta

Empresas lucrativas quebram e empresas no prejuízo seguem de pé. O que separa uma coisa da outra é o caixa que a operação gera, e o capital de giro que pode engoli-lo.

por Vinícius Rosa5 min de leituraatualizada em trecho aberto
Fluxo operacional: lucro não paga conta

A ideia: a conta chega em dinheiro, não em lucro

O salário do mês, a nota do fornecedor, os juros do banco: tudo isso é pago em dinheiro. Nenhuma dessas contas aceita "lucro contábil". É por isso que existe o clichê "a empresa quebrou dando lucro". Não é paradoxo: basta vender muito sem receber, ou comprar estoque demais para crescer.

A aula anterior subiu do lucro até o caixa livre. Esta para no meio do caminho, no fluxo de caixa operacional (FCO): o dinheiro que a atividade principal gerou, antes de qualquer investimento. Ele responde a pergunta mais básica sobre um negócio: a operação, sozinha, se paga?

O FCO mostra se o coração da empresa está bombeando. O capital de giro mostra se o bombeamento é de verdade ou de ocasião.

Do lucro ao FCO, em três passos

A demonstração de fluxo de caixa parte do lucro e faz dois ajustes:

1. Soma de volta o que não saiu do caixa. Depreciação, baixas contábeis de ativos, provisões: tudo isso reduziu o lucro, mas nenhum real saiu da conta naquele ano.

2. Ajusta o capital de giro. Capital de giro é o dinheiro preso no dia a dia: estoques, o que os clientes ainda devem (contas a receber) e o que a empresa ainda deve aos fornecedores (contas a pagar). Se o estoque cresce, dinheiro sai. Se o fornecedor dá mais prazo, dinheiro fica.

3. O resultado é o FCO. Dele, a aula 6 subtraiu o investimento para chegar ao caixa livre.

Quando o lucro some e o caixa não

Lucro e caixa da operação da PETR4, de 2012 a 2025

Em azul, o lucro de cada ano; em verde, o caixa gerado pela operação.

De 2014 a 2016, a PETR4 teve prejuízo três anos seguidos; o pior foi 2015, com −R$ 35,2 bilhões. No mesmo ano, a operação gerou R$ 86,4 bilhões de caixa. O prejuízo veio de R$ 84,0 bilhões em outras despesas operacionais, linha onde entram as baixas do valor de ativos, e de um resultado financeiro de −R$ 28,0 bilhões, com juros e variação cambial da dívida. Boa parte disso não saiu do caixa naquele ano. Quem olhasse só o lucro veria uma empresa sangrando; quem olhasse o FCO veria uma operação gerando dinheiro, embora com uma dívida enorme para pagar.

Nos anos seguintes, o padrão continuou: o caixa da operação ficou acima do lucro em todos os anos do gráfico. Em empresas de muita máquina e muita depreciação, isso é normal.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.