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FIIs com dados: o que 10 anos de B3 mostram · Aula 8 de 8

Quando o fundo acaba

De 2023 a set/2026, 109 FIIs deixaram a bolsa. Quem tinha IRDM11 recebeu o equivalente a R$ 68,21 por uma cota que valia R$ 58,50 no último pregão; quem tinha VIFI11, R$ 5,82 por uma de R$ 7,53. Um estudo que ignora isso pode errar a mesma carteira em 6 pontos por ano.

por Vinícius Rosa6 min de leituraatualizada em trecho aberto
Quando o fundo acaba

O fundo que sumiu da tela

Um dia você abre o aplicativo da corretora e o seu FII não está mais lá. No lugar, aparecem cotas de outro fundo, com outro código, e às vezes um dinheiro na conta. Não foi erro: o fundo foi incorporado.

Isso deixou de ser raro. E muda duas coisas: o que acontece com o seu dinheiro e o que dizem os estudos sobre FII.

Os jeitos de um FII acabar

Incorporação ou fusão: o fundo entrega seus imóveis ou créditos a outro fundo. Em troca, o cotista recebe cotas desse outro fundo, às vezes com um pouco de dinheiro. A proporção é o fator de troca, definido em assembleia.

Liquidação: o fundo vende tudo, paga as dívidas e devolve o dinheiro aos cotistas, em uma ou várias parcelas (as amortizações).

Troca de código: o fundo muda de nome ou de gestor e passa a negociar com outro código. É o mesmo fundo, com o mesmo patrimônio; só a etiqueta mudou.

Tudo isso é comunicado no FNET, o sistema da B3 onde os fundos publicam fatos relevantes (avisos oficiais de algo importante), atas e avisos aos cotistas.

Quantos acabaram

FIIs que deixaram de existir, por ano

Olhe o salto a partir de 2023: até 2022, no máximo 15 fundos saíam por ano. De 2023 em diante, entre 21 e 33.

Na base do Quantor, dos 578 FIIs que já tiveram cota negociada na B3, 177 foram encerrados. Só de 2023 a setembro de 2026 foram 109: 22 em 2023, 33 em 2024, 33 em 2025 e 21 até setembro de 2026. Foi uma onda de incorporações, fusões e liquidações, em anos de juros altos.

O que testamos

Olhamos as 77 saídas de fundos que em algum momento estiveram entre os líquidos (os que negociam bastante dinheiro por dia). Para cada uma, lemos o documento no FNET e anotamos o que o cotista recebeu de fato. Foram 34 incorporações, 13 liquidações em dinheiro, 27 trocas de código e 3 casos em que o documento não trazia valor. O valor de saída de cada fundo passou a ser: cotas recebidas × preço do fundo destino no primeiro pregão depois da saída, mais o dinheiro, mais o último rendimento.

No caminho, achamos 98 "rendimentos" em fontes automáticas que eram, na verdade, a mesma amortização contada duas vezes.

O resultado: o último preço mente

O último preço não é o que você recebeu

Compare o último preço com o que o cotista recebeu: em algumas incorporações ele recebeu bem mais; em outras, bem menos.

  • IRDM11 → IRIM11 (out/2025): último preço R$ 58,50. Por cota, o cotista recebeu 0,88 cota do IRIM11, R$ 4,31 em dinheiro e o último rendimento: R$ 68,21, ou +17%.
  • HGFF11 → RVBI11 (ago/2025): de R$ 62,38 para R$ 70,30 (+13%).
  • RBRF11 → RBRX11 (out/2025): de R$ 6,65 para R$ 7,27 (+9%).
  • BCFF11 → BTHF11 (out/2024): 0,8 cota do BTHF11 mais R$ 0,56 em dinheiro: de R$ 7,35 para R$ 7,43 (+1%).
  • CPFF11 → CPTS11 (mar/2025): de R$ 69,90 para R$ 59,68 (−15%), para quem não escolheu a opção de migrar para outro fundo.
  • VIFI11 → VCRI11 (jan/2025): de R$ 7,53 para R$ 5,82 (−23%), também com uma opção oferecida aos cotistas.

Numa liquidação, a diferença pode ser maior: o DMAC11 teve último preço de R$ 13,00 e devolveu R$ 4,89 por cota.

Todos são exemplos históricos, não recomendação. E hoje os principais sites de FII já não têm página para BCFF11 e IRDM11. Quem pesquisar depois não acha o fim da história.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.