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Dólar, câmbio e apetite a risco · Aula 7 de 8

Dólar: o seguro que rende mal e paga na hora certa

De 2006 a 2026, o dólar rendeu 4,4% ao ano contra o real, menos da metade do CDI. Mesmo assim, 15% dele numa carteira de bolsa aumentou o retorno e diminuiu a pior queda. É assim que um seguro funciona.

por Vinícius Rosa4 min de leituraatualizada em trecho aberto
Dólar: o seguro que rende mal e paga na hora certa

A ideia

Seguro de carro rende mal. Na maior parte dos anos, você paga e não recebe nada de volta. Ninguém conclui por isso que seguro é um mau negócio: ele existe para o ano em que o carro bate.

O dólar, para quem investe no Brasil, se parece com isso. Na média, rende pouco. Nos anos em que a bolsa brasileira apanha, ele costuma subir. As aulas anteriores mostraram por quê: o real e a bolsa dependem das mesmas coisas, o humor global com emergentes (aula 5) e o preço das commodities (aula 6). Quando essas coisas pioram, os dois caem juntos, e o dólar, que é o preço do real ao contrário, sobe.

O prêmio do seguro

De julho de 2006 a agosto de 2026, a conta ficou assim para R$ 100 aplicados:

R$ 100 em 2006 no CDI, no dólar, no Ibovespa e numa carteira 85% Ibovespa e 15% dólar

A linha branca é a carteira com 85% de Ibovespa e 15% de dólar, rebalanceada todo dezembro. Escala log.

  • CDI (aproximado pela Selic): R$ 704, 10,2% ao ano, sem nenhuma queda.
  • Só dólar: R$ 239, 4,4% ao ano. Perdeu feio do CDI e ainda teve uma queda de 33% no caminho.
  • Só Ibovespa: R$ 479, 8,1% ao ano, com uma queda de 50% no caminho.
  • 85% Ibovespa e 15% dólar: R$ 526, 8,6% ao ano, com pior queda de 39%.

Repare no último número. Colocar na carteira um ativo que rendeu quase metade do Ibovespa aumentou o retorno e diminuiu a pior queda. O motivo é o rebalanceamento: todo dezembro, a carteira volta a 85/15. Depois de um ano de dólar forte e bolsa fraca, isso obriga a vender dólar caro e comprar bolsa barata. Depois de um ano ao contrário, faz o inverso.

A conta não inclui custos nem impostos, e o passado não se repete igual. Mas mostra o mecanismo.

Quando o seguro pagou

Retorno do Ibovespa e do dólar em cada ano de 2007 a 2025, com os anos ruins da bolsa marcados

Faixas vermelhas: anos em que o Ibovespa caiu mais de 10%. O número em cima é o que o dólar fez naquele ano.

Desde 2007, o Ibovespa caiu mais de 10% em seis anos. Em todos os seis, o dólar subiu:

  • 2008: Ibovespa −41,2%, dólar +31,5%.
  • 2015: Ibovespa −13,3%, dólar +49,1%.
  • 2024: Ibovespa −10,4%, dólar +27,7%.
  • E ainda 2011 (+12,2%), 2013 (+15,4%) e 2021 (+7,3%).

E houve o susto de 2020, que não aparece inteiro no ano fechado: do topo de janeiro ao fundo de março, o Ibovespa caiu 46,8%. Do fim de 2019 ao fim de maio de 2020, o dólar subiu 32,8%.

Quem tinha dólar nesses momentos tinha, além do amortecedor, munição: uma parte do patrimônio que valia mais justamente quando as ações brasileiras estavam baratas.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.