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Dividendos: renda que não engana · Aula 8 de 10

Dividendo × Selic: o yield que perde a conta de um ano

Com a Selic em 13,75%, quase nenhuma pagadora ganha da renda fixa em doze meses. Mas a ação vende um provento que pode crescer, e a Selic de hoje não é a dos próximos dez anos.

por Vinícius Rosa5 min de leituraatualizada em trecho aberto
Dividendo × Selic: o yield que perde a conta de um ano

A ideia: um pagamento contra um fluxo

Em 23 de setembro de 2026, a Selic estava em 13,75% ao ano e o CDI, a taxa que os bancos usam entre si e que serve de referência para o CDB, em 13,65%. Com a inflação de 12 meses em 4,22%, o juro real passado (a Selic descontada a inflação) estava perto de 9,1% ao ano: 1,1375 ÷ 1,0422 − 1.

Do outro lado, a TAEE11 pagava 8,7%, o ITUB4 7,5%, e a mediana de DY das 132 ações mais negociadas era 4,2%. Nos próximos doze meses, a renda fixa entrega mais caixa que quase qualquer pagadora da bolsa. Isso é um fato, e fingir que não é leva a decisões ruins.

Mas comparar 8,7% com 13,75% é comparar um pagamento com outro, num ponto só. O que a ação pagadora vende é um provento que pode crescer, numa série que não vence. A Selic de hoje não vai durar dez anos.

Por que o dividendo está em desvantagem agora

1. O juro alto é longo. A curva de juros futuros mostra o que o mercado espera. Em 23/09/2026, o DI de janeiro de 2027 estava em 13,56% e o de janeiro de 2032, em 14,05%: o mercado esperava juro de dois dígitos por anos.

2. O provento da ação é o último da fila. O título público paga antes de tudo. A empresa paga depois de fornecedor, salário, juros da dívida e investimento. Quando o lucro cai, o provento cai junto: a BBAS3 teve o lucro 41% menor e o DY estava em 2,9%.

3. Isenção ajuda, mas não fecha. Um DY de 7,5% todo em dividendo isento equivale a cerca de 8,8% de uma renda fixa tributada em 15% (7,5 ÷ 0,85). Encurta a distância para os 13,65% do CDI. Não fecha.

A conta que importa: yield mais crescimento

Se o yield ficar estável, o retorno esperado de uma ação pagadora é, de forma simplificada, o yield de hoje mais o crescimento do provento. Se o provento cresce 5% ao ano e o yield se mantém, o preço também sobe 5%.

Yield de hoje mais crescimento do provento, contra o juro longo

Com a TAEE11 a 8,7%, o provento precisaria crescer cerca de 5,4% ao ano para empatar com os 14,05% do DI de 2032. Com crescimento zero, o retorno fica em 8,7%.

A pergunta útil deixa de ser "quanto paga?" e vira: esse provento consegue crescer 5% ao ano por muito tempo? Uma transmissora tem receita corrigida pela inflação, então parte do crescimento vem daí; o resto depende de novos projetos. A resposta não está na tela. Está no histórico de proventos e no negócio.

Um detalhe que pesa: essa conta ignora o risco. O DI longo paga 14,05% sem depender de conselho de empresa nenhum. Para trocar o título pela ação, você deveria exigir mais do que o empate.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.