Proteger com WIN e WDO: o hedge que não vira aposta
Hedge é uma posição do tamanho do que você já tem, no sentido contrário. A conta é uma divisão; o cuidado é o caixa do ajuste; e o hedge vira aposta no dia em que fica maior que a exposição.

A ideia: do mesmo tamanho, no sentido contrário
Você tem R$ 200 mil em ações e vai passar três meses sem poder acompanhar o mercado. Não quer vender tudo; quer só atravessar o período sem levar um tombo. É para isso que servem os contratos da aula anterior.
Hedge é abrir uma posição que ganha quando a sua carteira perde, do mesmo tamanho do que você quer proteger. Vendido em mini-índice, se a bolsa cair, o ajuste diário paga o que as ações perdem. Se subir, o ajuste cobra o que as ações ganham. O resultado fica perto de zero, que é exatamente o objetivo.
Um hedge bem feito não tenta ganhar dinheiro: tenta não perder. No dia em que ele fica maior que a exposição, ou continua depois que a exposição acabou, virou aposta.
A conta: uma divisão

Em cima, o hedge de uma carteira de ações com WIN. Embaixo, o hedge do dólar com WDO, na metade, como o Quantor faz.
Três números entram na conta do mini-índice:
- O valor da carteira. No exemplo, R$ 200 mil em cinco ações, em pesos iguais: ITUB4, PETR4, VALE3, WEGE3 e BBAS3.
- O beta, quanto a carteira anda para cada 1% do Ibovespa (a trilha "Matemática do investidor" explica o conceito). Nos últimos 36 meses até agosto de 2026, só no preço, essa carteira teve beta de 0,86: ITUB4 anda mais que o índice (1,30); PETR4, VALE3 e WEGE3, bem menos.
- O valor de um contrato. Com o Ibovespa a 183.966 pontos, 183.966 × R$ 0,20 = R$ 36.793.
A conta: 200.000 × 0,86 ÷ 36.793 = 4,7 contratos. Arredonda-se para 5 (um pouco mais protegido) ou 4 (um pouco menos). Com beta 1, seriam 5,4.
Março de 2020: a proteção e o caixa
Um caso real, com uma carteira simples. Em 28/02/2020, alguém tinha R$ 200 mil em BOVA11, que anda com o índice (beta 1). O Ibovespa fechou a 104.172 pontos: um WIN valia R$ 20.834. A conta pedia 200.000 ÷ 20.834 = 9,6 contratos. Ele vendeu 10.

Em cima, o resultado acumulado. Embaixo, o dinheiro que entrou e saiu da conta todo dia pelo ajuste. O WIN foi aproximado pelo Ibovespa à vista.
No fim de março, as cotas tinham perdido R$ 62.127. Os 10 contratos tinham rendido R$ 62.304 (10 × 0,20 × 31.152 pontos de queda). A soma: +R$ 177. O hedge fez o que prometia.
Agora olhe as barras. Em 13/03, o índice subiu 10.095 pontos num dia, e o ajuste cobrou R$ 20.190 em dinheiro, no dia seguinte. Em 24/03, mais R$ 12.318. Cota valorizada não paga ajuste: só saldo em conta paga. Quem faz hedge com futuro precisa de caixa para os dias em que a proteção custa. Sem ele, a corretora pode encerrar os contratos no pior momento, e a carteira fica descoberta justo quando mais precisava.
O custo de carregar
Proteção não é de graça, mesmo quando o futuro não cobra prêmio como a put. O preço do WIN fica acima do índice à vista, por causa do juro até o vencimento. Quem vende o futuro trava esse preço mais alto; com o tempo, a diferença se desfaz. Na soma, uma carteira de ações vendida em WIN passa a render perto do juro, não da bolsa. O custo do hedge é abrir mão, naquele período, do que a bolsa renderia a mais que a renda fixa.
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