Alavancagem: acertar a direção e quebrar no caminho
Com exposição de 5 vezes o capital, uma queda de 20% leva tudo, e o Ibovespa não precisa terminar o ano em baixa para isso. Em 2016 o índice subiu 38,9%; quem estava em 5× perdeu metade do dinheiro em duas semanas.

A ideia: o ano certo, o mês errado
Imagine que, no último pregão de 2015, você tivesse certeza de que o Ibovespa subiria em 2016. E acertasse: o índice fechou o ano 38,9% acima. Com o mini-índice, dava para multiplicar essa certeza por 3 ou por 5. Em 5×, o ganho do ano seria de quase 195%.
Só que ninguém pula de 31 de dezembro para 31 de dezembro. Em 13 de janeiro, o índice estava 10,2% abaixo do ponto de partida. Em 5×, isso é metade do seu dinheiro. Em 26 de janeiro, no fundo, 13,5% abaixo: em 5×, −67,5%. A essa altura, a corretora já teria pedido mais garantia ou encerrado a posição.
Alavancagem não exige errar a direção para quebrar. Exige só que o caminho passe, por um dia, por um ponto que a sua conta não aguenta.
A conta da ruína
A aula do mini-índice mostrou que, no futuro, você deposita só uma garantia. Se deposita R$ 36.793 para cada WIN, carrega 1 vez o capital. Se deposita a metade, 2 vezes. A alavancagem é o valor dos contratos dividido pelo seu dinheiro.
A conta que importa é simples: com L vezes o capital, uma queda de 1 ÷ L leva tudo.

Cada barra é a queda do Ibovespa que faz a perda chegar a 100% do dinheiro depositado.
Em 3×, basta uma queda de 33%. Em 5×, de 20%. Em 10×, de 10%. E há a última linha. Nas regras da B3 consultadas em 24/09/2026, a margem mínima exigida para um WIN em day trade é de R$ 155 (a corretora pode pedir mais). Contra um contrato de R$ 36.793, isso é uma alavancagem de 237 vezes. Uma queda de 0,42% do índice, cerca de 775 pontos, leva o depósito inteiro. Desde 2016, o Ibovespa andou isso ou mais entre dois fechamentos em 70% dos pregões, sem contar o que anda durante o dia.
Dois anos reais

Resultado sobre o capital de quem entrou no último pregão do ano anterior e não mexeu na posição. Círculo: o dia em que o capital caiu à metade. Quadrado: o dia em que zerou.
2016, a direção certa. O índice partiu de 43.350 pontos e terminou em 60.227. Em 3×, o pior momento foi −40,5%, e o ano fechou em +116,8%, para quem conseguiu ficar. Em 5×, a metade do capital sumiu em 13/01, com o índice a 38.944. Quem saiu ali, com uma regra de parar ao perder metade, viu o índice subir mais 54,6% dali até o fim do ano sem estar dentro.
2020, o ano no zero a zero. O índice terminou em +2,9%, praticamente onde começou. Mas no caminho estava março. Em 5×, a metade do capital foi em 27/02 e a conta zerou em 09/03. No pregão anterior, a perda era de 77%; no fechamento de 09/03, de 129%. Num único dia, a perda passou do dinheiro que havia na conta. Em 3×, a conta zerou em 12/03. Quem estava em 1× perdeu 45% no fundo, em 23/03, e terminou o ano no lucro.
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