Bitcoin é o Ibovespa do cripto
Medir uma cripto contra o dólar responde "subiu?". Medir contra o Bitcoin responde "valeu o risco extra?". Nos últimos 12 meses, só 11 de 137 criptos acompanhadas pelo Quantor ganharam dele.

A ideia: a pergunta certa não é "subiu?"
Uma cripto que subiu 80% num semestre em que o Bitcoin subiu 90% não teve um bom semestre. Teve um semestre pior que o do líder, disfarçado de número grande. E, como ela provavelmente oscila mais que o Bitcoin, você pagou mais risco para chegar a menos lugar.
Na B3, ninguém avalia um fundo de ações sem compará-lo com o Ibovespa. No cripto, o papel do Ibovespa é do Bitcoin. Ele é o maior, o mais antigo e o mais negociado, e é o fator que puxa todos os outros. Qualquer outra cripto precisa responder: valeu a pena em relação a simplesmente ter Bitcoin?
Medir em Bitcoin: a conta
O jeito mais direto de fazer essa comparação é dividir um preço pelo outro. Se o Ether custa US$ 2.688 e o Bitcoin US$ 84.559, então 1 Ether vale 2.688 ÷ 84.559 ≈ 0,032 Bitcoin. Essa razão sobe quando o Ether ganha do Bitcoin e cai quando perde. O dólar some da conta.

Cada ponto é quanto 1 ETH valia em BTC no fim do mês. A linha tracejada é o ponto de partida.
Em novembro de 2017, 1 Ether valia 0,044 Bitcoin. Em setembro de 2026, 0,032. Em quase nove anos, a segunda maior cripto do mundo perdeu 27% contra o Bitcoin. No caminho, houve dois períodos em que ela ganhou com folga: em janeiro de 2018 chegou a valer 0,109 BTC, e entre 2021 e 2022 passou de 0,08. Quem comprou no pico de 2018 perdeu 71% contra o líder; no de 2021, 61%.
E o Ether não é um caso extremo: é a cripto mais parecida com o Bitcoin em tamanho e liquidez. Correlação mensal com o Bitcoin desde 2018: 0,73. Volatilidade: 93% ao ano, contra 67% do Bitcoin. Andou junto, oscilou mais e terminou atrás.
O retrato de hoje: quem ganhou do líder
O Quantor mede cada cripto também contra o Bitcoin. Olhamos o retrato de 24 de setembro de 2026, com as 138 criptos que tinham negociação ativa:

Vermelho: caiu mais que o Bitcoin. Verde: ganhou dele. A faixa amarela contém o retorno do Bitcoin.
O Bitcoin acumulava −23% em 12 meses. As outras 137 tiveram mediana de −61%. Noventa e cinco caíram mais da metade. Só 11 ganharam do Bitcoin. Foi um ano de queda, e numa queda o líder costuma cair menos; mas é exatamente por isso que ele é a referência: é o risco mínimo de quem decidiu estar no cripto.
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