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Cripto sem fé · Aula 3 de 6

A régua em cripto: o mês fecha num mercado que não fecha

O Bitcoin negocia de domingo a domingo, mas o mês tem um fim exato. A mesma régua mensal das ações, aplicada ao BTC desde 2015, rendeu quase o mesmo que segurar, com a pior queda de −60% em vez de −75%.

por Vinícius Rosa5 min de leituraatualizada em trecho aberto
A régua em cripto: o mês fecha num mercado que não fecha

A ideia: o Bitcoin não precisa de uma régua especial

Com cripto, a tentação é inventar uma métrica nova: contagem de halving, índice de medo e ganância, endereços ativos na rede. Parece que um ativo tão novo precisa de ferramenta nova.

Não precisa. O Bitcoin é uma série de preços com duas características: oscila muito e passa longos períodos subindo ou caindo. É exatamente o tipo de série em que uma régua de tendência lenta tem mais serviço a fazer.

A régua é a mesma das ações: se o fechamento do mês ficou acima da média exponencial dos últimos 5 fechamentos mensais (uma média que dá mais peso aos meses recentes), o ativo está em alta; abaixo, em baixa. Só muda no fechamento do mês.

O relógio: quando o mês fecha

Na B3, o mês termina no último pregão, às 18h, com leilão de fechamento. O cripto não para: o mês termina à meia-noite do dia 1º no horário universal (UTC), que é 21h do último dia do mês em Brasília. Não tem feriado, não tem ponte, e o 31 de dezembro conta como qualquer outro dia.

O erro de sempre continua valendo: olhar o mês em andamento e agir como se ele já tivesse fechado. Candle em formação não é sinal.

A régua no gráfico

Bitcoin de 2015 a 2026 com a régua mensal e as faixas de alta e baixa

Faixas verdes: meses decididos em alta; vermelhas, em baixa. A linha amarela tracejada é a régua.

Olhe as três grandes quedas. Em nenhuma a régua vendeu no topo, porque ela só confirma a virada depois que o mês fecha abaixo da média. Mas em nenhuma ela ficou até o fundo.

A conta: régua contra segurar

Testamos a régua mês a mês, de janeiro de 2015 a agosto de 2026, com o Bitcoin convertido para reais. Quando a régua mandava ficar fora, o dinheiro rendia a Selic, que é o que acontece de verdade com quem sai: ele vai para a renda fixa.

O placar da régua no Bitcoin e o que aconteceu em cada grande queda

No preço, sem custos nem impostos. Em cima, o período inteiro; embaixo, as três grandes quedas.

  • Régua + Selic: +75,9% ao ano, pior queda de −60%, dentro do Bitcoin em 63% dos meses.
  • Comprar e segurar: +76,0% ao ano, pior queda de −75%.

Quase o mesmo destino, com um tombo máximo bem menor. É isso que a régua promete, e é tudo o que ela promete.

As 14 operações completas se dividiram em 7 com ganho e 7 com perda. O resultado veio de duas operações enormes: de outubro de 2015 a março de 2018 (+2.120% em dólar) e de abril de 2020 a maio de 2021 (+331%). As perdas foram bem menores: a maior, −31%, entre janeiro e março de 2020.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.