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Cabeça de investidor · Aula 3 de 7

Viés de confirmação: a tese que fica mais bonita quando o preço cai

Depois que você compra, a tese deixa de ser uma hipótese sobre a empresa e vira uma defesa de você mesmo. Por isso o que faria você mudar de ideia precisa estar escrito antes da compra.

por Vinícius Rosa5 min de leituraatualizada em trecho aberto
Viés de confirmação: a tese que fica mais bonita quando o preço cai

A ideia: a convicção que cresce com o prejuízo

Você estudou a empresa, leu o balanço, comprou. O preço cai 20%. O que você faz na semana seguinte?

Quase todo mundo faz a mesma coisa: procura quem concorda. Lê o relatório otimista, assiste ao vídeo do gestor que gosta da empresa, entra no grupo de acionistas. O relatório que rebaixou a ação fica para depois. Não é que você ignore o argumento contrário; você só procura o favorável com muito mais empenho.

Depois da compra, a tese deixa de ser uma hipótese sobre a empresa e vira uma defesa de você mesmo. Admitir que está errada custa mais que dinheiro: custa admitir que você analisou mal. Esse é o viés de confirmação, e ele dá à aversão à perda e ao preço médio (as duas aulas anteriores) uma justificativa que soa inteligente.

O mecanismo: o teste 2 · 4 · 6

Em 1960, o psicólogo Peter Wason inventou um jogo simples. Ele dizia que a sequência 2 · 4 · 6 obedecia a uma regra secreta. A pessoa podia propor outras sequências de três números e ouvir "sim" ou "não". Quando estivesse segura, anunciava a regra.

O teste 2-4-6: testar o que confirma não ensina nada

À esquerda, os testes que a maioria faz. À direita, os que revelam a regra. Sequências ilustrativas.

A maioria pensa em "números pares somando 2" e testa 8 · 10 · 12, 20 · 22 · 24. Sempre "sim". A convicção cresce a cada resposta e a pessoa anuncia a regra, errada. A regra real era muito mais ampla: qualquer sequência crescente. Quem descobre é quem testa algo que poderia dar "não", como 6 · 4 · 2.

A lição de Wason é seca: teste que só pode confirmar não ensina nada. E é exatamente o teste que fazemos com a nossa tese quando lemos só quem concorda.

O agravante da bolsa: a tela melhora quando o preço cai

Com ações, há uma armadilha extra. Os indicadores mais usados dividem alguma coisa pelo preço. Se o lucro por ação é R$ 1 e a ação custa R$ 10, o P/L (preço dividido pelo lucro) é 10. Se a ação cai para R$ 5 e o lucro publicado continua o mesmo, o P/L vira 5. O mesmo acontece com o dividend yield: o dividendo passado dividido por um preço menor dá um número maior.

Ou seja: quanto mais o preço cai, mais barata a empresa parece na tela, mesmo que nada nela tenha melhorado. Para quem já está procurando confirmação, é o argumento perfeito: "agora está ainda mais barata".

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.