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20 anos de B3 em 8 crises · Aula 5 de 8

Março de 2020: o mês em que a diversificação não existiu

Em 40 pregões o Ibovespa perdeu 47%, e quase tudo caiu junto: banco, cerveja, fundo imobiliário, small caps. O dólar subiu. A régua saiu no fechamento de fevereiro e voltou em junho; o que salvou a carteira foi o que estava decidido antes.

por Vinícius Rosa5 min de leituraatualizada em trecho aberto
Março de 2020: o mês em que a diversificação não existiu

A ideia

Diversificar é ter coisas diferentes na carteira para que elas não caiam todas ao mesmo tempo. É a regra mais repetida do investimento, e ela funciona na maior parte dos meses.

Em março de 2020, não funcionou. A pandemia chegou ao mundo e, por algumas semanas, ações de banco, de cerveja, de varejo, fundos imobiliários e small caps se comportaram como se fossem um papel só.

Diversificação protege nos meses normais. Nos meses que decidem tudo, só protege o que não é risco. Em 2020, isso foi o dólar e o caixa, e só funcionou para quem já tinha os dois antes.

O ano inteiro em um gráfico

O Ibovespa diário em 2020, com os pregões de circuit breaker, a régua ao fundo e o VIX Brasil embaixo

As linhas vermelhas finas marcam os pregões com circuit breaker. Embaixo, o VIX Brasil; pânico começa em 35.

O topo foi em 23 de janeiro: 119,5 mil pontos. O fundo, em 23 de março: 63,6 mil. −47% em 40 pregões, e 19 deles bastaram para ir de 113,7 mil, na sexta antes do Carnaval, até o fundo.

Março teve as maiores quedas diárias desde 1998: −12,2% em 9 de março, −14,8% no dia 12, −13,9% no dia 16, −10,3% no dia 18. Em cinco pregões a B3 acionou o circuit breaker, a parada automática quando a queda chega a 10%. E teve também dias de alta enorme: +13,9% em 13 de março, +9,7% em 24 de março. Quem tentava operar pela notícia apanhava nos dois sentidos.

O VIX Brasil, que mede o preço do seguro contra queda do BOVA11, estava perto de 21 no começo de fevereiro. Chegou a 102,3 em 18 de março, três vezes o limite do pânico.

Por que tudo caiu junto

Quem vende em pânico vende o que consegue, não o que quer. Um fundo com resgates, um investidor com margem para cobrir: eles vendem o que tem comprador naquela hora. A qualidade da empresa não entra na conta.

A dívida liga mercados que não têm nada em comum. Quem perde na bolsa vende o fundo imobiliário para cobrir; quem perde no fundo imobiliário vende outra coisa. O que liga um galpão logístico a uma varejista, nesse dia, é o balanço de quem precisa vender os dois.

Mais volatilidade manda vender mais. Muitos fundos reduzem a exposição quando a oscilação sobe. A venda faz o preço cair, a queda faz a oscilação subir, e a oscilação manda vender de novo.

O resultado, do fechamento de janeiro ao de março:

Variação do fechamento de janeiro ao de março de 2020: o dólar e onze ativos da B3

Com proventos (quase nenhum pago nesses dois meses). A única barra para cima é o dólar.

ITUB4, o banco "seguro", caiu 27%. ABEV3, de consumo básico, 33%. HGLG11, um fundo imobiliário de galpões que muita gente tratava como renda fixa, 17%. SMAL11, 43%. RENT3 e PETR4, 51%. O dólar (PTAX) foi de R$ 4,27 para R$ 5,20: +22%. Seu pico viria em maio, R$ 5,94.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.