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20 anos de B3 em 8 crises · Aula 4 de 8

2018: a greve, a eleição e o susto que não era ciclo

Em 2018 o Ibovespa caiu 19% em um mês e depois subiu 4,6% num único pregão. A régua mensal trocou de lado quatro vezes e pagou um pedágio pequeno. Caro mesmo foi vender no pânico e voltar depois.

por Vinícius Rosa5 min de leituraatualizada em trecho aberto
2018: a greve, a eleição e o susto que não era ciclo

A ideia

As aulas anteriores foram de ciclos: quedas e altas que duraram meses ou anos. Esta é sobre outra coisa, que assusta tanto quanto e dura muito menos: o evento. Uma greve, uma gravação vazada, uma eleição. Algo com data, que derruba o preço de uma vez e depois se resolve.

2018 teve dois em seis meses. E 2017 tinha tido um ensaio.

Evento mexe com o medo por semanas; ciclo mexe com a tendência por anos. Confundir os dois é o jeito mais comum de vender no fundo e recomprar no alto.

O ensaio: 18 de maio de 2017

Na noite de 17 de maio de 2017 veio a público a gravação de uma conversa do então presidente com um empresário. No dia seguinte o pregão abriu com circuit breaker (a parada automática da B3 quando o índice cai 10%), e o Ibovespa fechou em −8,8%, a 61,6 mil.

A régua mensal, que compara o fechamento do mês com a média exponencial dos últimos cinco, virou para baixa no fechamento de maio, a 62,7 mil. Voltou para alta no fechamento de julho, a 65,9 mil. Quem seguiu saiu e voltou 5% mais caro. O índice terminou 2017 a 76,4 mil.

Greve em maio, eleição em outubro

O Ibovespa diário em 2018 com os marcos da greve e da eleição, e o VIX Brasil embaixo

Faixas vermelhas: meses em que a régua estava em baixa. Embaixo, o VIX Brasil, o medo medido nas opções do BOVA11.

O índice estava em 86,5 mil em 16 de maio. Em 21 de maio começou a greve dos caminhoneiros, que parou estradas e desabasteceu o país. Somou-se a um ano ruim para emergentes, e o dólar subiu até R$ 4,19 em setembro. Em 18 de junho, o Ibovespa marcava 69,8 mil: −19% em um mês.

Depois veio a eleição. No primeiro pregão após o 1º turno, em 8 de outubro, o índice subiu 4,6% num dia só, voltando a 86,1 mil. Fechou o ano a 87,9 mil e passou de 115 mil no fim de 2019.

O medo tem data marcada

Olhe o painel de baixo da figura. O VIX Brasil mede quanto o mercado cobra por um seguro contra queda do BOVA11 nos próximos 30 dias. Abaixo de 20 é calmo; de 20 a 25, normal; de 25 a 35, nervoso; acima de 35, pânico.

Ele subiu na greve (28,7 em 7 de junho) e mais ainda antes da eleição. Na sexta-feira antes do 1º turno, 5 de outubro, estava em 36,2. Na segunda, 8 de outubro, 19,0. Metade do medo sumiu num fim de semana, porque a dúvida que ele precificava tinha sido resolvida.

Isso se repete. No último pregão antes do 2º turno de 2014, em 24 de outubro, o VIX Brasil estava em 62,5; no pregão seguinte à eleição, 27,7. Evento com data concentra o medo antes dela e o devolve logo depois, seja qual for o resultado.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.