Leilão, circuit breaker e after: quando o pregão muda de regra
Há momentos em que a bolsa deixa de casar ordens uma a uma — no leilão, quando o pregão para, nas sessões de pouca gente. É nessas janelas que uma ordem a mercado custa caro e um stop não protege como você imaginava.

A ideia: o pregão nem sempre funciona do mesmo jeito
Na trilha "Do zero", você viu como o livro de ofertas casa compradores e vendedores e como funcionam os leilões de abertura e de fechamento. Esta aula vai um passo além: o que acontece com a sua ordem nas janelas em que o pregão muda de regra.
São três: o leilão, quando as ordens são acumuladas e o preço sai de uma conta; o circuit breaker, quando o pregão inteiro para; e as sessões de pouca gente, como o começo do dia e o horário estendido. Nessas janelas, o preço que aparece na tela tem a aparência de um preço de mercado e a qualidade de informação de poucas ordens. Quem não sabe disso chama de azar o que é mecânica.
A ordem a mercado num leilão vazio
No pregão contínuo, uma ordem a mercado pega a melhor oferta do outro lado, agora. No leilão não existe "agora": o sistema acumula as ordens e, no fim, calcula o preço que casa o maior número de ações. Uma ordem a mercado entra dizendo "compro a qualquer preço que sair".
Num papel líquido, isso não faz diferença. Num papel com pouca gente na fila, é a sua ordem que define o preço:

Exemplo ilustrativo. Para caber a sua ordem, o preço do leilão sobe até o nível em que há ações suficientes à venda.
No exemplo, o melhor comprador estava a R$ 10,00. Para você comprar 400 ações, só havia ações suficientes à venda somando a fila até R$ 10,35 — e a sua ordem a mercado aceita qualquer preço. Resultado: você pagou 3,5% acima do melhor comprador, num papel que, minutos depois, com o livro cheio, poderia estar de volta perto de R$ 10,00. Com uma ordem limitada (que diz o preço máximo que você aceita), você compraria só o que coubesse até o seu preço, e o resto esperaria.
O circuit breaker: quando o pregão para
O circuit breaker é o freio da bolsa inteira. Pela regra da B3, se o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento anterior, o pregão para por 30 minutos; se a queda chega a 15%, para por mais uma hora; em 20%, a B3 decide o tempo da parada. Além dele, cada papel pode entrar num leilão de volatilidade quando se afasta muito do preço de referência.
Março de 2020, no começo da pandemia, foi o laboratório:

Cada barra é a variação do dia; o fio vai do ponto mais alto ao mais baixo. As faixas vermelhas marcam os dias em que o pregão parou.
O pregão parou nos dias 9, 11, 12 (duas vezes), 16 e 18 de março: seis paradas em oito pregões. Em 12/03, o índice chegou a cair 19,6% no pior momento e fechou em −14,8%. No dia seguinte, subiu 13,9%. A mínima do mês veio em 23/03, aos 63.570 pontos.
Duas lições práticas saem desses dias. Primeira: com o pregão parado, nenhuma ordem executa. Um stop (ordem automática de venda num preço definido) não dispara no meio da parada. Segunda: quando o pregão volta, a execução acontece no preço da reabertura, que pode estar muito abaixo do preço que você marcou. O stop protege contra o movimento contínuo; contra o salto, não.
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