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B3 na prática · Aula 8 de 8

O custo invisível do giro: corretagem zero não é custo zero

Cada compra e venda paga um pedágio pequeno demais para ser notado — emolumento, spread, imposto antecipado. Somados e repetidos todo mês por dez anos, eles valem mais que muita escolha de ação.

por Vinícius Rosa5 min de leituraatualizada em trecho aberto
O custo invisível do giro: corretagem zero não é custo zero

A ideia: o custo mudou de lugar

A corretagem foi a zero em boa parte das corretoras, e com ela veio a sensação de que operar é de graça. Não é. O custo mudou de lugar: foi para as taxas da bolsa, para a diferença entre o preço de compra e o de venda e, principalmente, para o imposto que você antecipa a cada venda com lucro.

Nenhum desses custos tem linha própria no extrato. Por isso quase ninguém soma. O custo do giro não aparece como despesa; aparece como o retorno que você não teve. Esta aula faz a conta que falta.

As três camadas do pedágio

1. Emolumentos. São as taxas da B3 cobradas em toda compra e em toda venda. Pela tabela que valeu por muitos anos para pessoa física, algo perto de 0,03% do valor de cada ordem (confira a tabela vigente). Numa ordem de R$ 10 mil, R$ 3. Ninguém muda de ideia por R$ 3 — mas girar a carteira inteira todo mês são 24 pontas por ano.

2. Spread. É a diferença entre o melhor preço de venda e o melhor de compra no livro de ofertas (a trilha "Do zero" explicou o livro). Você compra no preço de quem vende e vende no preço de quem compra: a diferença fica pelo caminho. Não é cobrado; é embutido no preço.

3. Imposto antecipado. Cada venda com lucro antecipa o imposto sobre o ganho. A aula 5 mostrou que, mesmo com a alíquota igual, pagar todo ano em vez de uma vez no fim custa caro.

O menor spread possível

O spread tem um piso que dá para calcular sem ver o livro. Na B3, o preço das ações anda de centavo em centavo: a menor diferença possível entre comprar e vender é R$ 0,01. Quanto isso pesa depende do preço da ação:

Um centavo como porcentagem do preço, em cinco papéis

O mínimo teórico. Em papéis pouco negociados, o spread real costuma ser bem maior que um centavo.

Na PETR4, a R$ 49,60, um centavo é 0,02%. Na TAEE3, a R$ 13,59, 0,07%. Na BHIA3, que fechou 23/09/2026 a R$ 0,94, um centavo é 1,06% — e isso é só o mínimo. Entrar e sair de uma ação de centavos custa, no piso, mais de 1% por volta, antes de qualquer outro custo.

A conta de dez anos

Agora junte tudo. R$ 100 mil, rendendo 12% ao ano antes dos custos, por dez anos. Três ritmos:

R$ 100 mil em dez anos: carregar, girar num papel líquido, girar num papel ralo

Mesmos papéis e mesmo retorno bruto. A diferença vem só da frequência com que a carteira é mexida.

  • Carregar e vender no fim: R$ 310,6 mil brutos; 15% sobre o ganho no fim; ficam R$ 279 mil.
  • Girar tudo todo mês num papel líquido: 0,03% de emolumento em cada ponta, spread de 0,02% e 15% sobre cada ganho realizado. Ficam R$ 242 mil — R$ 37 mil a menos, mais de um terço do capital inicial.
  • Girar tudo todo mês num papel pouco negociado: o mesmo, mas com spread de 0,5% por volta. Ficam R$ 148 mil. Sobrou pouco mais de um quarto do ganho de quem carregou.

A simulação supõe o imposto de 15% sobre cada ganho (a alíquota que valeu por muitos anos; girar R$ 100 mil por mês estoura qualquer faixa de isenção mensal de vendas). É aritmética de exemplo, não previsão. E ainda supõe algo otimista: que girar não piora as decisões, o que raramente é verdade.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.