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Volatilidade: ler o medo sem operar · Aula 6 de 6

Termômetro de risco: a média que esconde o medo

Em 23/09/2026 o termômetro marcava 37, zona normal, com o VIX Brasil mais tenso que 98% dos últimos dois anos. A média escondia o medo. E, nos dados desde 2011, medo alto antecedeu retornos melhores, cobrando um caminho mais duro.

por Vinícius Rosa4 min de leituraatualizada em trecho aberto
Termômetro de risco: a média que esconde o medo

A ideia: a média que esconde

Um termômetro que junta vários medidores num número só é útil: resume o clima numa olhada. Mas média tem um defeito conhecido. Se quatro pessoas estão com frio e uma está com febre, a média da sala parece normal.

Foi o que a aba Risco mostrou em 23/09/2026:

A aba Risco do Quantor em 23/09/2026, com o termômetro e os medidores marcados

Print da aba Risco em 23/09/2026. Os números são explicados no texto.

O termômetro (1) marcava 37, zona normal. Logo ao lado, o próprio Quantor avisava (2): a média engana, o medo está concentrado em um lugar. Esse lugar era o VIX Brasil (3): 27,9, mais tenso que 98% dos últimos dois anos. Enquanto isso, o VIX (4) estava mais calmo que 86% dos últimos dois anos, e a curva do VIX (5) em 0,84, sem inversão.

Quando um medidor está no extremo e a média parece mansa, quem manda é o medidor, não a média.

Como o termômetro é montado

A conta é aberta. Cada um dos cinco medidores vira um percentil dos últimos dois anos (quanto do período ficou abaixo do valor de hoje; a aula "Percentil", da trilha Matemática do investidor, explica em detalhe). Depois, tira-se a média. Em 23/09/2026:

  • VIX (bolsa americana): 14
  • MOVE (juros americanos): 48
  • VVIX (a oscilação do próprio VIX): 10
  • VIX Brasil: 98
  • Crédito (quanto as empresas arriscadas pagam a mais nos EUA): 13

(14 + 48 + 10 + 98 + 13) ÷ 5 = 183 ÷ 5 = 36,6, ou 37. Se a curva do VIX estivesse invertida (aula 5), seriam mais 10 pontos. As zonas: abaixo de 30, calmo; de 30 a 60, normal; de 60 a 80, alerta; 80 ou mais, estresse. O que cada um dos outros medidores mede está na trilha Risco e ciclo, aula 2.

Quatro medidores tranquilos puxaram a média para baixo e esconderam que o medo brasileiro estava no topo da amostra.

O que o medo alto antecedeu

Resta a pergunta que todo mundo faz: o que acontece depois que o medo sobe? Separamos cada pregão desde 2011 pela faixa do VIX Brasil naquele dia e olhamos o Ibovespa 12 meses depois.

O retorno do Ibovespa nos 12 meses seguintes, por faixa do VIX Brasil

Retorno médio do índice a partir de cada pregão da faixa. A linha tracejada é a média de qualquer pregão desde 2011.

A partir de um pregão qualquer, o Ibovespa subiu 9,0% em 12 meses, em média, e esteve mais alto em 65% dos casos. Com o VIX Brasil acima de 35, a média foi +35,6%, com 83% de casos positivos. Na faixa de 25 a 35, +14,1%. Nesses dados, medo caro esteve mais perto de bons pontos de entrada do que de desastres.

O termômetro conta a mesma história, no seu histórico diário desde 2017. Nos 205 pregões em zona de estresse, o BOVA11 subiu em média 26,2% nos 12 meses seguintes, com 90% de casos positivos. Na zona calma, 9,6%, e no mês seguinte a um dia calmo o fundo subiu só em 54% das vezes.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.