SMAL11: o rali de 2021 não morreu de crise, morreu de juro
Do fundo de março de 2020 ao topo de junho de 2021, o SMAL11 quase dobrou com a Selic em 2%. Depois a Selic foi a 13,75%, e a cota caiu 41,5% até março de 2023, sem nenhuma crise no meio. Cinco anos depois do topo, ainda não voltou.

A ideia: small cap é uma aposta no custo do dinheiro
O ciclo de 2020 a 2022 costuma ser contado como euforia da pandemia seguida de ressaca. É uma leitura incompleta. No meio do caminho não houve quebra de banco nem pânico novo. Houve o preço do dinheiro voltando ao normal brasileiro.
Small cap é, em boa parte, uma posição no custo do capital, e quase nunca é vendida assim. É vendida como "a próxima grande empresa" ou "a ação que ninguém descobriu". As duas coisas podem ser verdade. Nenhuma sobrevive intacta a uma Selic que sai de 2% para 13,75% em um ano e meio.
A cronologia, com os números

A linha branca é a cota do SMAL11 no fim de cada mês; a tracejada, a régua (média exponencial de 5 meses). Embaixo, a Selic.
O fundo. Em março de 2020, a cota fechou o mês a R$ 78,71. O Ibovespa tinha caído 47% em dois meses.
O rali. O Banco Central levou a Selic a 2% ao ano, a menor da história. Com o dinheiro quase de graça, o lucro prometido para daqui a cinco anos passa a valer muito hoje: é a aritmética do desconto (quanto menor o juro, mais vale um fluxo distante). Até junho de 2021, o SMAL11 foi a R$ 150,00: +90,6%, contra +75,6% do BOVA11.
O aperto. O Copom começou a subir a Selic em março de 2021 e chegou a 13,75% em agosto de 2022. O SMAL11 caiu até R$ 87,82 em março de 2023: −41,5% desde o topo. No mesmo intervalo, o BOVA11 caiu 19,1%. A queda das small caps foi mais que o dobro, sem um único evento de crise.
O segundo fundo. Quando a Selic voltou a subir, de 10,5% para 15% entre 2024 e 2025, a cota marcou R$ 85,95 em dezembro de 2024. Em setembro de 2026, estava em R$ 110,70, ainda 26% abaixo do topo de 2021 (no preço da cota).
O que a régua fez
A régua do Quantor compara o fechamento do mês com a média exponencial dos últimos cinco fechamentos. No SMAL11, ela virou para baixa em julho de 2021, a R$ 141,80, 5,5% abaixo do topo. E ficou em baixa em 11 dos 12 meses seguintes.
Ela não pegou o topo, e nunca pega. Mas quem saiu a R$ 141,80 deixou de atravessar a descida até R$ 87,82. Numa queda longa, sair depois dos primeiros 5% e ficar fora da maior parte do resto é a diferença entre um susto e um trauma.
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