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Setores da B3, um por um · Aula 13 de 13

Mineração e siderurgia: o preço é do minério, não da empresa

De 2011 a 2015 o minério de ferro caiu 79% e a VALE3, em dólar, 90%. De 2015 a 2021 ele subiu 442% e ela, 578%. Mês a mês a relação é fraca; em seis meses ou um ano, é o minério que desenha o gráfico.

por Vinícius Rosa6 min de leituraatualizada em trecho aberto
Mineração e siderurgia: o preço é do minério, não da empresa

A ideia: quem vende minério não escolhe o preço

A aula 6 desta trilha mostrou por que o lucro de uma mineradora oscila muito mais que a receita: o preço vem de fora e o custo quase não se mexe. Esta aula faz a pergunta seguinte: quanto do preço da ação é só o preço do minério?

A Vale decide quanto extrai, quanto investe e quanto distribui. O preço da tonelada é decidido lá fora, principalmente pela demanda das siderúrgicas da China. Quem compra VALE3 achando que está comprando "a empresa" está, em boa parte, comprando uma posição em minério de ferro, com a empresa no meio.

Em mineração, antes de perguntar se a empresa é boa, pergunte o que o minério vai fazer. É ele que desenha o gráfico da ação nos movimentos grandes.

Os dois grandes ciclos, lado a lado

Para comparar sem a interferência do câmbio, convertemos a VALE3 em dólar (o minério é cotado em dólar). O minério é o contrato futuro negociado nos Estados Unidos, código TIO=F, com dados desde novembro de 2010. Conferimos com o preço mensal publicado pelo FMI: os dois andam praticamente iguais.

VALE3 em dólar contra o minério de ferro, desde 2010

Base 100 em novembro de 2010, escala log (a mesma distância vertical é a mesma variação percentual). Só preço, sem dividendos.

Trecho Minério VALE3 em dólar
fev/2011 → dez/2015 −79% −90%
dez/2015 → jun/2021 +442% +578%
jun/2021 → out/2022 −57% −44%

Nos dois primeiros trechos, a ação ampliou o minério: caiu mais na queda e subiu mais na alta. É o efeito do custo fixo da aula 6 chegando ao preço: cada dólar a mais ou a menos na tonelada vai quase inteiro para o lucro.

Mês a mês, é ruído

Aqui mora o engano mais comum. Quem olha o minério subir 3% numa semana e espera a VALE3 subir junto costuma se frustrar. Medimos a correlação (de −1 a +1, quanto os dois sobem e caem juntos) em prazos diferentes:

Correlação do minério com VALE3, CSNA3, GGBR4, USIM5 e o Ibovespa, em quatro prazos

Todos em dólar, em janelas que não se sobrepõem. Quanto mais alta a barra, mais o papel acompanha o minério naquele prazo.

Num mês, a correlação da VALE3 com o minério é de 0,39. Elevada ao quadrado, dá uns 15%: é a parte do sobe e desce mensal que o minério explica. O resto é juro, dólar, humor da bolsa, notícia da própria empresa. Em 3 meses, a correlação vai a 0,68; em 6 e 12 meses, a 0,72 e 0,71.

Outra forma de ver: em 50 janelas de 12 meses em que o minério andou mais de 30%, a VALE3 foi para o mesmo lado em 40 (80%). Quando o minério andou menos de 10%, a ação foi para o mesmo lado em só 65% das vezes, pouco mais que cara ou coroa.

E as siderúrgicas?

Siderúrgica vende aço, não minério. Mesmo assim, as três andam com o minério, porque o ciclo é o mesmo: quando a China constrói, sobem o aço e o minério juntos.

A CSNA3 é a que mais acompanha: 0,86 em 12 meses, mais até que a VALE3. A CSN é controladora da CSN Mineração (CMIN3), então parte do lucro dela é, literalmente, minério. A GGBR4 (0,63) e a USIM5 (0,58) acompanham menos. Repare que o próprio Ibovespa tem 0,52 em 12 meses: a bolsa brasileira inteira pega carona no ciclo das commodities.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.