Quem aporta todo mês quase nunca precisa vender
Para quem compra todo mês, a resposta para "vendo a PETR4 que subiu 20%?" costuma ser outra pergunta — "para onde vai o próximo aporte?". Mudar o destino do dinheiro novo rebalanceia a carteira sem vender, sem imposto e sem apostar no topo.

A tese: o aporte é a sua melhor ferramenta de venda
Voltemos ao aluno da primeira aula. Ele compra PETR4 todo mês pensando no longo prazo; a ação subiu 20%; o grupo diz que "bateu no teto". A pergunta dele era: vendo uma parte, vendo tudo ou não vendo?
Para quem aporta todo mês, existe uma resposta que as sete aulas anteriores prepararam: na maior parte das vezes, você não precisa vender nada. Precisa mudar para onde vai o próximo aporte.
Vender tem custos que o aporte não tem: corretagem, spread, possivelmente imposto, e principalmente o risco de cortar o vencedor que ia pagar a carteira (aula 3). Redirecionar o aporte não custa nada, não exige prever o topo e resolve o problema real, que quase nunca é "a PETR4 vai cair". O problema real é: a PETR4 ficou grande demais na minha carteira?
O mecanismo: peso-alvo e aporte que rebalanceia
A ideia é simples e é usada por gestores profissionais há décadas.
1. Defina um peso-alvo para cada posição. Numa carteira de cinco partes, 20% cada. Numa de dez, 10% cada. Pode ser diferente por papel, desde que esteja escrito.
2. Todo mês, olhe o peso atual de cada uma. A que subiu passou do peso; as que ficaram para trás estão abaixo.
3. Mande o aporte inteiro para o que está mais abaixo do peso. Não para o que está "barato", não para o que "vai bombar". Para o que está abaixo do peso-alvo.

Exemplo ilustrativo: a PETR4 subiu e foi a 26% da carteira. Quatro aportes mandados para as outras posições trazem tudo de volta para perto dos 20% — sem uma única venda.
O efeito é duplo. Primeiro, o risco de concentração se corrige sozinho: a posição que subiu vai perdendo peso porque o resto cresce. Segundo, você compra mais do que ficou para trás, que é exatamente o que um rebalanceamento faz, sem pagar imposto sobre o que subiu.
E repare no que isso não exige: você não precisou saber se a PETR4 ia cair. Se ela continuar subindo, você continua dono de tudo o que tinha. Se cair, a queda pesa menos, porque o resto da carteira cresceu.
A régua como freio do aporte
Para o dinheiro novo, a régua tem um papel ainda mais simples do que na venda: ela decide se o papel pode receber aporte.
- Acima da régua e abaixo do peso-alvo: recebe aporte.
- Acima da régua e acima do peso: não recebe; o aporte vai para os outros.
- Abaixo da régua: não recebe aporte, esteja onde estiver o peso. Colocar dinheiro novo num papel em tendência de baixa é pegar faca caindo em parcelas.
Com isso, o aporte mensal passa a fazer duas coisas ao mesmo tempo: rebalancear e seguir tendência. E a venda fica reservada para os casos em que ela realmente é necessária.
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