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Planejar a vida com a bolsa · Aula 8 de 8

Quanto em cada classe: renda fixa, ações, FII e exterior

Não existe receita pronta, mas existe conta. De 2011 a 2026, o CDI rendeu 9,9% ao ano sem nenhuma queda, o Ibovespa 6,2% com tombo de 41,7%, e o S&P 500 em reais 22,9% porque o dólar triplicou. A pergunta que decide a sua mistura é quanto você aguenta ver cair sem vender.

por Vinícius Rosa6 min de leituraatualizada em trecho aberto
Quanto em cada classe: renda fixa, ações, FII e exterior

A ideia: a mistura é escolhida pela queda, não pelo retorno

"Quanto eu devo ter em renda fixa, em ações, em fundo imobiliário e lá fora?" É a pergunta mais comum de quem arruma a vida financeira, e a mais cheia de receitas prontas: 60/40, 100 menos a idade, um quarto em cada.

Nenhuma receita sabe o que importa no seu caso. A aula 2 desta trilha mostrou as duas coisas que decidem quanto de risco cabe na sua vida: o prazo até usar o dinheiro e quanta queda você atravessa sem vender. Esta aula põe números nas quatro classes para você fazer a conta sozinho.

Cada classe traz um retorno, uma queda e um jeito de andar junto (ou não) com as outras. A mistura certa é a que tem a maior queda que você aguenta, e nenhum real a mais.

As quatro classes, medidas

Usamos o período em que existem dados das quatro, de janeiro de 2011 a agosto de 2026. CDI é o que rende a renda fixa pós-fixada (Tesouro Selic, CDB de liquidez diária). O Ibovespa é a bolsa brasileira. O IFIX é o índice dos fundos imobiliários da B3. O S&P 500 é a bolsa americana, aqui convertida em reais pelo dólar do fim de cada mês. Todos com os rendimentos reinvestidos, sem impostos.

Retorno ao ano e pior queda das quatro classes e das cinco carteiras-tipo

Quanto mais para cima, mais rendeu; quanto mais para a direita, mais caiu no pior momento. À direita, o período longo, desde 1995, para as classes que têm dados desde lá.

Os números da figura:

Classe Retorno ao ano Oscilação Pior queda
CDI 9,9% 1,0% nenhuma
IFIX 8,8% 10,3% −22,0% (2020)
Ibovespa 6,2% 20,9% −41,7% (2011–2016)
S&P 500 em reais 22,9% 16,5% −26,2% (2022)

Oscilação é o tamanho típico do sobe e desce em um ano. Pior queda é a maior distância do topo até o fundo, nos fechamentos mensais.

Duas coisas saltam. A primeira: nesse período, a bolsa brasileira rendeu menos que o CDI e caiu muito mais. A segunda: o S&P 500 em reais foi o campeão, mas por dois motivos somados. O índice subiu 14,3% ao ano em dólar, e o dólar foi de R$ 1,67 para R$ 5,18, uma alta de 7,5% ao ano. Cerca de um terço daquele retorno foi câmbio.

Quem anda junto de quem

O que torna uma mistura melhor que suas partes é a correlação: uma medida de −1 a +1 de quanto duas coisas sobem e caem juntas no mesmo mês.

Correlação dos retornos mensais entre CDI, Ibovespa, IFIX e S&P 500 em reais

Amarelo: andam juntos. Azul: andam em sentidos opostos. Quanto mais forte a cor, mais forte a relação.

Ibovespa e FIIs têm correlação de 0,54: costumam cair juntos, e os dois costumam sofrer quando o juro brasileiro sobe. Ter os dois não é tão diferente de ter só bolsa brasileira.

Já a bolsa americana em reais teve correlação de −0,20 com o Ibovespa. O motivo é o dólar: nos 24 meses desse período em que o Ibovespa caiu mais de 5%, o dólar subiu em 23. Quando a bolsa daqui apanha, a parte de fora, medida em reais, costuma segurar. É por isso que a parcela no exterior ajuda mais do que o retorno dela sugere.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.