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O dinheiro mora no tempo · Aula 1 de 7

Prazos operacionais: a única diferença é dormir posicionado

Day trade, swing trade, position e buy and hold parecem quatro mundos. No fundo, uma pergunta separa todos eles: você vai dormir com a posição aberta? A resposta decide se você recebe, ou não, o que o mercado paga pela noite.

por Vinícius Rosa5 min de leituraatualizada em
Prazos operacionais: a única diferença é dormir posicionado

A ideia: quatro nomes, uma pergunta

Quem chega à bolsa ouve logo uma sopa de nomes em inglês: day trade, swing trade, position, buy and hold. Parece que cada um é uma profissão diferente, com ferramentas, cursos e linguagem próprias.

Na prática, o que separa as quatro modalidades é uma coisa só. Você vai dormir com a posição aberta ou não? Quem nunca dorme posicionado nunca recebe o que o mercado paga pela noite. Quem dorme, recebe, e também carrega o risco que vem junto.

Esta trilha inteira gira em torno dessa pergunta. Aqui a gente arruma o vocabulário. Na aula 3, os números mostram onde o ganho da bolsa de fato aconteceu.

Os quatro prazos, lado a lado

Modalidade Quanto tempo fica posicionado Dorme posicionado? Pega o ganho da noite?
Day trade Minutos a horas; zera no mesmo pregão Não Não
Swing trade 2 dias a algumas semanas Sim Sim, em parte
Position Semanas a meses Sim Sim
Buy and hold Anos Sim Sim, inteiro

Os quatro prazos ao longo de cinco dias, com pregões e noites marcados

Cada faixa laranja é o tempo em que a modalidade está com dinheiro na bolsa. O day trade só existe dentro das faixas de pregão; os outros atravessam as noites.

Repare no desenho. O day trade é uma sequência de blocos curtos, todos dentro do pregão, e nenhum cruza a faixa azul da noite. O swing atravessa algumas noites. O position e o buy and hold atravessam todas.

Três palavras que você vai usar a trilha inteira

Pregão (ou sessão): o período em que a bolsa está aberta, da abertura ao fechamento do mesmo dia. No mercado à vista da B3, vai de cerca de 10h até 17h. É onde o day trade vive.

Overnight (a noite): do fechamento de um dia até a abertura do dia seguinte. A bolsa está fechada, mas o mundo não. Saem balanços de empresas, dados de inflação, decisões de juros; as bolsas dos Estados Unidos seguem negociando, a Ásia abre. Tudo isso se acumula enquanto ninguém consegue negociar aqui.

Gap: o salto entre o fechamento de ontem e a abertura de hoje. Como o preço não pode se mexer durante a noite, ele se ajusta de uma vez quando o pregão abre. Se a notícia foi boa, abre acima; se foi ruim, abre abaixo.

Um gap de verdade

O exemplo mais famoso da última década aconteceu em maio de 2017. Na noite do dia 17, veio a público a notícia das gravações feitas pelos donos da JBS, envolvendo o então presidente da República. A bolsa estava fechada. Não havia como vender.

BOVA11 em maio de 2017: o fechamento do dia 17 e a abertura do dia 18

Cada candle é um pregão do BOVA11 (o fundo que replica o Ibovespa). A linha laranja é o gap: o preço pulou a noite inteira de uma vez.

O BOVA11 fechou o dia 17 a R$ 65,33 e abriu o dia 18 a R$ 58,00. A conta: 58,00 ÷ 65,33 − 1 = −11,2%, sem nenhum negócio no meio. Quem tinha uma ordem de stop a R$ 63 foi executado a R$ 58, porque o primeiro preço disponível já era esse.

Esse é o risco de dormir posicionado. E é exatamente por carregar esse risco, noite após noite, que o investidor posicionado é pago. Quem vende o risco da noite (o day trader, que zera antes de dormir) abre mão também do prêmio.

Onde engana

"Day trade é mais seguro porque não dorme exposto." Ele se livra do gap, é verdade. Mas troca um risco raro por um custo certo: corretagem, taxas da bolsa e a diferença entre o preço que você queria e o que conseguiu, em toda operação. A aula 4 faz essa conta.

"Swing é o meio-termo ideal." Depende de quantas noites. Quem fica dois dias pega pouca noite e paga custo quase como o day trader. O ganho da noite é pequeno a cada noite; ele só vira dinheiro quando se acumula por muitas.

"Position e buy and hold são a mesma coisa." Os dois dormem posicionados, mas o position tem regra de saída: fica enquanto a tendência está de pé e sai quando ela vira. O buy and hold não tem saída programada. A aula 7 mostra a diferença na pior queda.

Imposto também muda com o prazo. Pela regra em vigor, o lucro de day trade paga 20% e não tem a isenção de vendas de até R$ 20 mil por mês; o das operações comuns (swing, position) paga 15%, e vendas de ações até R$ 20 mil no mês ficam isentas. Detalhes na trilha "Imposto e burocracia sem susto".

Na prática

1. Escreva o seu prazo antes de comprar. Minutos, semanas, meses ou anos. Ele decide quanto custo você paga e quanta noite você recebe.

2. Pergunte "vou dormir com isso?". Se a resposta é não, você está no jogo do pregão, e as próximas aulas mostram o que ele paga.

3. Aceite o gap como parte do contrato. Quem dorme posicionado vai, um dia, abrir 5% ou 10% abaixo. A proteção é o tamanho da posição, não o stop.

4. Não misture prazos na mesma operação. O day trade que "virou" swing porque deu prejuízo é o começo de quase toda conta quebrada (a aula 5 explica por quê).

No Quantor

A régua da tela Analisar papel decide no fechamento do mês: é uma ferramenta de position, feita para quem dorme posicionado e não quer tomar decisão todo pregão. O Fluxo diário do mesmo papel mostra os candles do dia a dia, com os gaps visíveis. E a aba Futuros mostra o que negocia enquanto a bolsa à vista está fechada, uma pista do tamanho do gap que vem.

O que separa os prazos não é a técnica. É a noite.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.