Mundo: o apetite a risco chega antes do Ibovespa
Antes de ter opinião sobre um ativo, conte quantos ativos do mundo estão em alta. A contagem muda de humor devagar e diz se você está remando a favor ou sozinho.

A ideia: o Ibovespa é consequência, não ponto de partida
O investidor brasileiro costuma começar pelo Ibovespa e depois procurar a explicação. Sobe: "o estrangeiro voltou". Cai: "risco fiscal". A ordem está invertida. O Ibovespa é um ativo de risco entre dezenas, e boa parte do tempo ele faz o que a classe dele faz no mundo.
Antes de ter opinião sobre um ativo, saiba quantos ativos de risco no mundo estão em alta. Não qual subiu mais: quantos. Uma contagem de 96 ativos não sobe por causa de um papel, e muda de humor muito mais devagar que um preço. Quando a maioria está em alta, comprar Brasil é remar a favor. Quando o mundo está dividido, a mesma compra é uma aposta local.
A leitura em degraus: primeiro a classe, depois o ativo

Print da aba Mundo, visão geral. Todos os ativos na régua EMA-5 mensal da aula 1 e na força da aula 2.
O seletor (1) escolhe o prazo da força; aqui, 12 meses. Os anéis mostram cada classe: bolsas (2) com 23 de 39 em alta, commodities (3) com 16 de 22, juros e crédito (4) com só 3 de 10. No total, 56 de 96 (5). Embaixo, os mais fortes e os mais fracos do planeta, com força, retorno e oscilação. Guarde o primeiro da lista (6) e a lista dos fracos (7).
Organizando a mesma informação:

O comprimento da barra é a fração da classe em alta na régua. À direita, a força média de 12 meses da classe.
A leitura começa pela classe. Commodities com 73% em alta e movimento forte; moedas e cripto, 69%; bolsas, 59%, também com movimento forte; setores americanos, 42%; juros e crédito, 30%, em queda. Isso não é "um mundo em alta". É um mundo em que o ativo físico (metal, energia, alimento) e as bolsas pagam, e o título longo de renda fixa apanha. Duas notícias que são uma só: crescimento nominal, inflação viva, juro longo pressionado.
Entre a classe e o ativo cabe um degrau do meio, o grupo (região ou estilo), nas abas de bolsas e commodities. Por último vem o ativo. Na lista dos fortes, o cobre: +57% em 12 meses num ativo que costuma oscilar pouco, um dos movimentos mais fortes do mapa: o movimento mais limpo da tela. Taiwan, +87%, também entre os mais fortes. Na lista dos fracos, os títulos do Tesouro americano de 20 anos (TLT), −10%, e o crédito de empresas americanas, os dois caindo mais do que costumam oscilar.
E o Ibovespa? Fechou 23/09 em 185.814 pontos, +27,1% em 12 meses, com movimento forte pelos fechamentos mensais. Mas em 6 meses, −0,9%: movimento de lado, ruído. O ano foi bom; o semestre, parado.
Voltar à trilha Ler o mercado em 10 leiturasTodas as trilhas
Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.