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Investir nos EUA direto · Aula 7 de 8

Estate tax: o imposto que o extrato não mostra

Ações americanas de quem mora no Brasil entram na conta do imposto sobre herança dos EUA. O limite é baixo, US$ 60 mil, e uma carteira comum chega nele sem ninguém perceber.

por Vinícius Rosa4 min de leituraatualizada em trecho aberto
Estate tax: o imposto que o extrato não mostra

A ideia: um imposto que só aparece uma vez

Quem abre conta nos EUA passa semanas comparando câmbio, taxas e ETFs. Quase ninguém pergunta o que acontece com aquele dinheiro se o titular morrer. E é aí que mora o custo mais pesado da estrutura, porque ele não aparece em extrato nenhum enquanto você está vivo.

Os EUA cobram um imposto sobre a herança, o estate tax. Ele vale também para estrangeiros que têm bens "situados" lá. Para quem não é residente nem cidadão americano, a linha de corte é baixa: US$ 60 mil. Um residente americano tem uma isenção muitas vezes maior.

O que diz a regra

Pela página do IRS sobre o tema (consultada em setembro de 2026):

  • O espólio de um não residente precisa entregar uma declaração ao fisco americano, o formulário 706-NA, quando os bens situados nos EUA passam de US$ 60 mil na data da morte.
  • Ações de empresas americanas contam como bens situados nos EUA, mesmo que os certificados estejam no exterior ou registrados em nome de outra pessoa ou instituição. É o caso típico da conta numa corretora, em que as ações ficam no nome dela e você é o dono final.
  • Há um crédito fixo de US$ 13 mil, que na prática zera o imposto até cerca de US$ 60 mil. Acima disso, vale a tabela do estate tax americano, que pela regra de muitos anos chega a 40% nas faixas mais altas. Confira a vigente.

Quanto aos ETFs americanos, como IVV, VOO e SPY, a leitura mais comum é que eles também contam, porque são fundos constituídos nos EUA. Já IVVB11 e BDRs são ativos emitidos no Brasil, e a leitura corrente é que ficam fora. Essas duas leituras não são texto do IRS: confirme com um especialista antes de decidir.

A linha chega antes do que parece

US$ 60 mil soa como muito dinheiro guardado. Veja quanto tempo leva com uma disciplina comum: US$ 1.000 por mês em SPY, a partir de janeiro de 2020.

Aporte de US$ 1.000 por mês em SPY desde 2020 cruzando a linha de US$ 60 mil

A linha azul é o valor da conta; a pontilhada, o total aportado. A área acima da linha vermelha é a zona do estate tax.

A conta cruzou os US$ 60 mil em dezembro de 2023, com US$ 48 mil aportados: o mercado fez o resto. Em agosto de 2026, com US$ 80 mil aportados, valia US$ 142 mil, mais que o dobro da linha. Com o dólar de setembro de 2026, US$ 60 mil são cerca de R$ 311 mil. Nenhuma corretora manda alerta quando você cruza.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.