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Custos, impostos e execução · Aula 5 de 5

Taxas de fundos e clubes: a parte que fica com o gestor

Um fundo que entregasse exatamente o Ibovespa de 2006 a 2026 e cobrasse 2% ao ano teria ficado com 42% do seu ganho. Antes de olhar a rentabilidade, olhe a taxa.

por Vinícius Rosa6 min de leituraatualizada em trecho aberto
Taxas de fundos e clubes: a parte que fica com o gestor

A ideia

Você olha a lâmina de um fundo de ações (o resumo oficial com as regras e os números do fundo): "rentabilidade de 12% no ano". Parece bom. Mais abaixo, em letra menor, está a taxa de administração: 2% ao ano. Parece pouco. Dois por cento de quê?

De tudo o que você tem aplicado, todo ano, com a bolsa subindo ou caindo. A taxa não é sobre o lucro; é sobre o patrimônio. Num ano em que a carteira rende 8%, 2% de taxa levam um quarto do resultado. Num ano em que ela perde 10%, você paga a taxa em cima do prejuízo.

A taxa é o único item da lâmina que é certo. A rentabilidade futura é incerta; a taxa, não.

Os custos de um fundo, um por um

  • Taxa de administração (às vezes dividida entre administração e gestão): um percentual ao ano sobre o patrimônio, descontado aos poucos, todo dia, da cota. Você não vê a cobrança; vê a cota rendendo menos.
  • Taxa de performance: em muitos fundos, uma parte do que passar de uma referência (o CDI ou o Ibovespa), comumente 20% do excedente.
  • Custo de operar: o fundo também paga emolumentos (a taxa da bolsa), corretagem e spread (a diferença entre o preço de compra e o de venda) quando compra e vende. Isso sai da cota.
  • Imposto: fundos de ações pagam imposto no resgate. Fundos abertos de renda fixa e multimercado têm ainda o come-cotas, uma antecipação do imposto cobrada em maio e novembro. Detalhes na trilha "Imposto e burocracia sem susto".

Um clube de investimento é um grupo de pessoas que junta dinheiro numa carteira de ações administrada por uma corretora, com pelo menos 67% em ações. A lógica de custos é a mesma: taxa sobre o patrimônio, custo de operar e imposto no resgate.

O que testamos: quanto a taxa leva

Pegamos o Ibovespa com proventos (o retorno total, com os dividendos reinvestidos) e o CDI, mês a mês, de janeiro de 2006 a setembro de 2026. Depois simulamos um fundo que entregasse exatamente o mesmo resultado, só que cobrando a taxa sobre o patrimônio todo mês. Nenhum gestor, nenhum erro de escolha: só a taxa.

R$ 100 mil e a taxa de administração

Olhe a distância, no fim do período, entre cada curva pura e a mesma curva depois da taxa: é o que a taxa levou. Antes do imposto.

R$ 100 mil no Ibovespa viraram R$ 549.870. O mesmo dinheiro num fundo idêntico com 2% ao ano viraria R$ 362.976. O ganho caiu de R$ 449.870 para R$ 262.976. Ou seja, a taxa ficou com 42% do ganho, embora seja "só 2%".

No CDI, R$ 100 mil viraram R$ 750.540. Com 1% ao ano de taxa, como cobram muitos fundos DI (os que aplicam em renda fixa atrelada ao CDI), ficaria R$ 609.846: 22% do ganho foi para a taxa.

O que quase ninguém sabe. A taxa pesa mais justamente quando o mercado rende pouco. De 2006 a 2026, o Ibovespa com proventos rendeu 8,6% ao ano. Tirar 2 pontos disso é tirar quase um quarto do retorno anual. Em 20 anos de juros compostos, isso vira 42% do ganho total. Numa carteira que rendesse 26% ao ano, os mesmos 2 pontos levariam bem menos. A mesma taxa é barata num fundo excelente e caríssima num fundo mediano.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.