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20 anos de B3 em 8 crises · Aula 8 de 8

2024–2026: a bolsa que subiu sem o brasileiro

Com a Selic chegando a 15%, o Ibovespa saiu de 118,5 mil para 185,8 mil. Os fundos locais venderam quase R$ 97 bilhões na B3 em dois anos; o estrangeiro comprou do outro lado. A última crise da trilha é a que ainda está acontecendo.

por Vinícius Rosa5 min de leituraatualizada em trecho aberto
2024–2026: a bolsa que subiu sem o brasileiro

A ideia

As aulas 2 e 6 ensinaram que juro alto derruba a bolsa. Então veio 2024–2026: a Selic subiu de 10,5% para 15%, ficou lá nove meses, e o Ibovespa teve uma das maiores altas da trilha.

Não é contradição. O juro alto tirou o investidor brasileiro da bolsa, e o resgate deixou as ações baratas o bastante para outro comprador aparecer. Esta é a crise que ninguém chamou de crise, porque quem sofreu não foi o índice: foi quem ficou de fora dele.

A alta, marco a marco

O Ibovespa diário de janeiro de 2024 a setembro de 2026, com a régua, e a Selic embaixo

Faixas verdes e vermelhas: a régua mensal. Embaixo, a Selic, que subiu até junho de 2025 e só começou a cair em março de 2026.

A Selic estava em 10,5% em maio de 2024. Voltou a subir em setembro e chegou a 15% em junho de 2025. No começo de 2025, o clima era de medo: o dólar (PTAX) chegou a R$ 6,21 em 2 de janeiro, e o Ibovespa fez 118,5 mil no dia seguinte.

Dali, o índice subiu com poucas pausas, com a Selic no topo. Chegou a 198,7 mil em 14 de abril de 2026, recuou em maio e junho (a régua ficou em baixa nesses dois meses) e voltou para alta no fechamento de julho. Em 23 de setembro de 2026 estava em 185,8 mil: +57% do fundo e +27% em 12 meses. A Selic, depois de cinco cortes de 0,25 ponto desde março, estava em 13,75%.

Quem vendeu e quem comprou

Saldo mensal de compras menos vendas na B3: estrangeiro e institucional, de outubro de 2024 a setembro de 2026

Barras azuis: estrangeiro. Amarelas: institucional (em grande parte, fundos locais).

De outubro de 2024 a 21 de setembro de 2026, o institucional vendeu R$ 96,9 bilhões na B3 e o estrangeiro comprou R$ 49,5 bilhões. A pessoa física comprou R$ 20,3 bilhões. Janeiro de 2026 foi o maior mês de compra do estrangeiro no período: R$ 26,3 bilhões.

O mecanismo é o da aula 6, mais longo. Com o CDI rendendo perto de 15% ao ano sem oscilar, o cotista de fundo de ações pede o dinheiro de volta. O gestor não vende porque acha a bolsa cara: vende porque precisa pagar o resgate. Venda forçada não escolhe preço. Do outro lado, o estrangeiro não compara a bolsa com o CDI; compara o Brasil com outros países. Nessa comparação, o Brasil pareceu barato.

A alta não foi de todo mundo

Variação do preço de dezembro de 2024 a setembro de 2026, papel por papel

Com proventos (os ETFs já reinvestem). Setembro ainda aberto.

ITUB4 e BBDC4 subiram perto de 80% com os dividendos, bem acima do BOVA11 (+56%). As small caps (SMAL11) subiram 29%. WEGE3 ficou em +2%, RADL3 em −12%, o HGLG11 em +10%. Quem acompanhava só as ações que conhecia, e não o índice, pode ter atravessado uma alta de 57% com a sensação de que nada aconteceu.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.