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Análise técnica sem misticismo · Aula 6 de 11

Tendência e serrote: o problema não é o sistema, é o papel

A mesma régua rendeu +31,7% ao ano na MGLU3 e metade do que rendia segurar no ITUB4. Quando uma regra de tendência começa a serrar, o ajuste certo quase nunca é na regra, é na escolha do papel ou no tamanho da posição.

por Vinícius Rosa6 min de leituraatualizada em trecho aberto
Tendência e serrote: o problema não é o sistema, é o papel

A ideia: a régua perde por estar certa no papel errado

Quando uma regra de tendência começa a dar prejuízo, o reflexo é mexer nela: encurtar a média, acrescentar um filtro, exigir confirmação. Quase sempre é a decisão errada.

A régua do Quantor (fechamento do mês contra a média exponencial de 5 meses) aplicada ao ITUB4 desde 2009 rendeu metade do que rendia segurar o papel. Aplicada à MGLU3, sem mudar uma vírgula, rendeu +31,7% ao ano. Não são duas regras. São dois tipos de papel: um que passa anos oscilando em volta da própria média, e outro que se move em ciclos longos, para cima e para baixo.

Quando o sistema está serrando, o ajuste certo quase nunca é no sistema. É no papel, ou no tamanho da posição.

O caso ITUB4

ITUB4 desde 2009: o preço colado na média e o resultado de seguir a régua

Em cima, o fechamento mensal com proventos (branco), a média de 5 meses (azul) e os meses acima (verde) ou abaixo (vermelho) dela. Embaixo, R$ 100 aplicados em janeiro de 2009, seguindo a régua com o dinheiro na Selic quando fora (laranja) ou comprando e segurando (cinza).

Olhe o painel de cima. Na maior parte do tempo, a linha branca e a azul estão coladas, e as faixas trocam de cor a cada poucos meses. Cada troca é uma entrada ou uma saída. O resultado está embaixo: R$ 100 viraram R$ 338 seguindo a régua, contra R$ 1.033 comprando e segurando. Em taxa anual, +7,1% contra +14,1%, com 62 trocas de lado no caminho. E nem a proteção apareceu: a pior queda seguindo a régua foi de −42%, contra −39% de quem segurou.

O ITUB4 foi um ótimo investimento no período, com dividendos gordos e lucro crescente. Foi um mau investimento para uma regra de tendência.

Por que o papel lateral destrói a regra

1. Cada virada custa um pedaço. A régua decide no fechamento do mês. Você entra depois que o papel já subiu o suficiente para cruzar a média, e sai depois que ele já caiu o suficiente para cruzar de volta. Esse pedaço perdido na entrada e na saída é o custo fixo de cada operação. Num papel que anda 40% num ciclo, ele é irrelevante. Num papel que sobe 8% e devolve 8%, ele come o resultado inteiro.

2. A tendência se paga com poucas operações grandes. A maioria das operações de uma regra de tendência é pequena e negativa. O lucro vem de um punhado de movimentos enormes. Papel lateral, por definição, não produz esses movimentos. Só produz a parte pequena e negativa.

3. Lateral não é parado, é agitado sem direção. Oscilar bastante e não sair do lugar é o pior terreno: muitas trocas, nenhuma tendência para pagar por elas.

O placar: mesma régua, oito papéis

A régua mensal em oito papéis: retorno ao ano, trocas de lado por ano e pior queda

Laranja: régua com Selic fora. Cinza: comprar e segurar. As faixas vermelhas marcam onde a régua perdeu mais de 3 pontos ao ano. Todos os números com proventos.

O papel em que a régua perdeu mais feio, o ITUB4, é o que mais trocou de lado: 3,5 vezes por ano. Na MGLU3, que teve dois ciclos gigantes em direções opostas, foram 2,0 trocas por ano e o melhor resultado da tabela. A WEGE3 e a TAEE11 também ficaram no vermelho, mas por outro motivo, que aparece mais abaixo em "Onde engana".

Repare também na coluna da pior queda. Em quase todos, a régua reduziu a pior queda de forma forte: PETR4 de −87% para −40%, Ibovespa de −51% para −21%, VALE3 de −79% para −28%. A exceção é justamente o ITUB4, o serrote. A proteção é a parte confiável da régua. O retorno é a parte que depende do papel.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.