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Análise técnica sem misticismo · Aula 5 de 11

Candles e figuras: o desenho que some no teste

Martelo, engolfo, doji, ombro-cabeça-ombro. Quando viram regra e são aplicados a milhares de casos, o poder de previsão desaparece. O que sobra no gráfico se mede sem desenhar nada.

por Vinícius Rosa4 min de leituraatualizada em trecho aberto
Candles e figuras: o desenho que some no teste

A ideia: o padrão está no olho, não no preço

A trilha "Do zero" mostrou o que é um candle: abertura, máxima, mínima e fechamento de um período, num desenho só. A partir daí, a tradição gráfica dá nome a formatos. O martelo é um candle de corpo pequeno com um pavio longo para baixo, que anunciaria o fim de uma queda. O engolfo é um candle que "engole" o corpo do anterior, anunciando uma virada. O doji tem corpo quase nulo e anunciaria indecisão.

Todos têm uma coisa em comum: são nomeados olhando para trás e cobrados como se fossem previsão. O ombro-cabeça-ombro só existe depois do segundo ombro. O triângulo só é triângulo depois que rompe. O martelo só "funcionou" se o dia seguinte subiu.

Esta aula faz o que quase nenhum livro de candles faz: conta os casos em que o padrão não funcionou.

Por que o desenho parece funcionar

1. Você só vê os casos que deram certo. Todo livro mostra o gráfico em que a figura acertou. Ninguém publica os quarenta martelos que não seguraram nada. Sem esses casos, não existe taxa de acerto, existe memória.

2. A definição se ajusta ao resultado. Quanto de pavio faz um martelo? Quanto o ombro direito pode ser mais alto que o esquerdo? Se isso não está escrito antes, a definição vira elástica: quando dá certo, era o padrão; quando dá errado, era um padrão "que falhou".

3. O prazo curto é quase só ruído. Existe informação no preço, mas ela é lenta: aparece em meses (aula 8), não em cinco candles. Num dia, o ruído domina. E ruído não tem lado.

O teste: quatro padrões, escritos como regra

Para testar, cada padrão precisa virar uma frase que o computador aplica igual em todo o histórico:

Quatro padrões de candle, cada um com a regra usada no teste

Os desenhos são ilustrativos. As regras embaixo de cada um são as usadas no teste.

Aplicamos as quatro regras às 40 ações mais líquidas da B3, de novembro de 2021 a setembro de 2026, e contamos quantas vezes o papel estava mais alto 5 pregões depois:

O que aconteceu nos 5 pregões seguintes a cada padrão, comparado a um dia qualquer

A barra cinza é a referência: o que aconteceu depois de um dia qualquer. A escala da esquerda começa em 40% para deixar as diferenças visíveis.

  • Um dia qualquer: subiu em 5 pregões em 51,0% das vezes, com retorno médio de +0,20%.
  • Martelo (557 casos): 49,0%. Deveria anunciar alta; ficou abaixo do dia qualquer.
  • Engolfo de alta (1.135 casos): 47,9%. Idem.
  • Doji (5.336 casos): 51,8%. Igual a um dia qualquer.
  • Engolfo de baixa (1.418 casos): subiu em 52,1% das vezes. Deveria anunciar queda.

Nenhum padrão se afastou do dia qualquer mais do que cerca de três pontos, e os três que prometiam uma direção erraram o lado. Com milhares de casos, isso não é azar de amostra pequena: na B3 recente, esses candles não disseram nada sobre a semana seguinte.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.