O papel em alta que está sozinho no setor
De 2006 a 2026, a ação em alta num setor com 60% ou mais dos pares em alta perdeu a régua no mês seguinte em 16% das vezes. Num setor com 40% ou menos em alta, em 26%. O primeiro playbook é olhar o setor antes do papel.

A ideia: o setor é o vento
Dois papéis fecham o mês acima da régua. Na tela, são iguais. Só que um está num setor em que quase todos os pares também sobem, e o outro está subindo enquanto o resto do setor cai.
Esta trilha é de playbooks: receitas de decisão para situações que se repetem. Cada aula termina com o passo a passo no Quantor. A primeira receita é a mais simples de todas: antes de olhar o papel, olhe o setor.
O motivo é mecânico. Dinheiro grande entra por tema, não por empresa. O gestor que decide ter mais bancos compra vários bancos; o fundo que segue o setor compra todos. Esse fluxo comum demora meses para terminar, e é ele que sustenta uma tendência. O papel que sobe sozinho não tem esse vento: sobe apesar do setor, e costuma perder o fôlego mais cedo.
A régua da amplitude
A medida é bruta de propósito. Amplitude do setor é a porcentagem dos papéis daquele setor que estão acima da régua (a média exponencial dos últimos 5 fechamentos mensais). Cada papel vale um voto, pequeno ou grande. Pesar pelo tamanho seria reconstruir o índice, e a amplitude serve justamente para mostrar o que o índice esconde.
Em 23/09/2026, com setembro ainda aberto, o Quantor acompanhava 393 ações, e 43% delas estavam em alta. Por setor, a distância era grande: Serviços Financeiros com 62% (18 de 29), Bens Industriais com 62% (13 de 21), Energia com 49% (19 de 39), Consumo Cíclico com 36% (16 de 44) e Construção e Imobiliário com 33% (13 de 40).
O teste: quanto o vento ajuda
Medimos isso no arquivo mensal. Pegamos todos os meses, de 2006 a agosto de 2026, em que uma ação estava em alta na régua, dentro dos 7 setores com 15 papéis ou mais. Depois separamos pelo tamanho da amplitude do setor naquele mês.

Barras: a chance de o papel perder a régua no mês seguinte. Embaixo: o retorno mediano nos 6 meses seguintes, com proventos.
- Setor com 60% ou mais em alta: a régua virou para baixa no mês seguinte em 16,0% dos 10.700 casos.
- Setor com 40% ou menos: virou em 26,0% dos 2.550 casos.
Um quarto das altas "solitárias" acabou em um mês, contra um sexto das altas com o setor junto. O retorno mediano de 6 meses também foi maior com o setor a favor (+4,0% contra +0,6%), mas os dois são modestos. O que o setor compra é menos serrote, mais do que retorno garantido.
Um papel, dois setores
A GGBR4 mostra a diferença sem precisar de média.

Em cima, o fechamento mensal com proventos e a régua. Embaixo, a porcentagem de Materiais Básicos em alta a cada mês; a linha pontilhada marca 60%.
Em junho de 2020, a GGBR4 virou para alta com 76% do setor (19 de 25 papéis) também em alta. Ficou acima da régua por 14 meses e saiu em agosto de 2021: +85%, com os dividendos.
Em junho de 2024, virou de novo. Dessa vez, só 29% do setor (8 de 28) estava em alta. A régua ficou quatro meses dentro, sem tração, e saiu em outubro no zero a zero. Sinal idêntico, contexto oposto.
Onde a regra quebra
Setor pequeno não é amostra. Com 8 papéis, um único papel que vira muda a amplitude em 12,5 pontos. Abaixo de 15 papéis, use a amplitude como pista, nunca como critério.
O setor também faz serrote. De 2019 a 2026, a régua fez 14 entradas completas na GGBR4 e só 5 deram lucro, mesmo com os dividendos. A alta de 2020 foi a exceção que pagou as outras. Setor a favor diminui o serrote, não elimina.
Você perde o começo das viradas. No fundo de um ciclo, a amplitude é baixa por definição, e os primeiros papéis a subir estão sozinhos. Exigir o setor faz você entrar mais tarde. É o preço de não comprar três falsos começos durante a descida.
Classificação de setor é convenção. Uma empresa atípica dentro do próprio setor (uma locadora em Consumo Cíclico, por exemplo) conversa pouco com a amplitude dos pares. O estudo também usa a classificação de hoje e só as ações que ainda negociam: tem viés de sobrevivência, que a última aula desta trilha explica.
Na prática
1. Abra os Rankings em ações da B3 e ligue a coluna "setor em alta". Fique com os papéis em alta na régua cujo setor tem 60% ou mais em alta. Se quiser, ligue também a coluna do IQ e suba o filtro de liquidez.
2. Confira o tamanho do setor. Menos de 15 papéis: a amplitude vira pista, não critério.
3. Leve o candidato à tela Analisar papel. No bloco "O setor", veja quantos pares estão em alta. Na régua, anote o preço em que ela "vira abaixo de" e a folga até lá.
4. Decida só no fechamento do mês. A régua e a amplitude mudam no fechamento. A aba O que mudou mostra quem trocou de estado.
No Quantor
A amplitude aparece em dois lugares: nos Rankings, na coluna "setor em alta", papel a papel, e na tela Analisar papel, no bloco "O setor", em Fundamentos. O índice pode subir com meia dúzia de papéis; a amplitude conta todos.
Antes do papel, o setor.
Voltar à trilha Playbooks quantTodas as trilhas
Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.