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Investir fora sem sair da B3 · Aula 6 de 6

O índice sobe, a ação típica não

O ganho de uma bolsa vem de poucas ações que multiplicam muitas vezes. O índice carrega essas poucas sem precisar saber quais são; dez nomes escolhidos a dedo quase sempre não carregam. É isso que decide entre um ETF e uma cesta de BDRs.

por Vinícius Rosa4 min de leituraatualizada em trecho aberto
O índice sobe, a ação típica não

A ideia

Um índice de ações parece uma média: sobe quando "as ações" sobem. Não é bem assim. O ganho de um índice vem de poucas ações que multiplicam muitas vezes, enquanto a ação típica anda pouco ou perde. É a concentração de retornos: o resultado mora na ponta da distribuição, não no meio.

Isso muda a pergunta desta trilha. Se você quer o mercado americano, comprar o índice inteiro (IVVB11) e comprar cinco ou dez BDRs de empresas conhecidas não são duas versões da mesma coisa. O índice carrega a cauda sem precisar saber onde ela está. Uma lista curta, quase sempre, não carrega.

O que Bessembinder mediu

O economista Hendrik Bessembinder publicou em 2018 um estudo com todas as ações americanas listadas de 1926 a 2016, quase 26 mil empresas. Em essência, ele mostrou duas coisas:

  • Cerca de 4% das ações explicam toda a riqueza líquida que a bolsa americana criou acima dos títulos de curto prazo do Tesouro americano no período. Os outros 96%, somados, empataram com esses títulos.
  • Mais da metade das ações rendeu, na vida inteira, menos que esses títulos, que são a aplicação mais segura que existe por lá.

A razão é mecânica. Uma ação pode perder no máximo 100%, mas pode ganhar 1.000%, 10.000%. Com o tempo, essa assimetria concentra o ganho em poucos nomes.

Dá para ver na B3

Refizemos a ideia com o arquivo do Quantor: todas as ações com preço em agosto de 2016 e em agosto de 2026. Foram 238.

A variação de preço de 238 ações da B3 em dez anos, em faixas

Cada barra conta quantas ações caíram em cada faixa. A mediana é a ação do meio da fila; a média soma todas e divide.

  • A ação do meio da fila (a mediana) subiu 39% em dez anos, só no preço.
  • A média subiu 188%. A diferença entre as duas é a cauda: algumas poucas ações puxaram a média para cima.
  • 99 das 238 terminaram abaixo do preço de 2016. Em 37, a queda passou de 75%.

Agora imagine R$ 1 em cada uma. De onde veio o ganho total?

Quanto do ganho total veio das primeiras ações da fila, da melhor para a pior

A curva sobe rápido e depois desce: as que caíram devolvem parte do que as melhores ganharam.

As 10 melhores, 4% da lista, somaram 59% de todo o ganho. Uma ação sozinha, a PRIO3, que multiplicou o preço por mais de 170 vezes, respondeu por 38,5%. As 139 que subiram somaram 113% do ganho, e as 99 que caíram devolveram os 13% de excesso.

E a pergunta prática: sorteamos 20 mil carteiras de 10 ações dessa lista. Em 80% delas, o resultado ficou abaixo da média do conjunto. A carteira típica subiu 107%; o conjunto inteiro, 188%. Quem tem tudo tem a cauda. Quem tem dez, na maioria das vezes, não tem.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.