Direito de subscrição: o ativo que vira pó por omissão
O direito entra na sua custódia com prazo curto e, no último dia, vale zero. Quem não faz nada não fica neutro: fica diluído e sem a compensação.

A ideia: não é brinde, é a compensação pela diluição
Uma empresa precisa de dinheiro e decide vender ações novas, primeiro para quem já é sócio. É o aumento de capital com direito de preferência (ou de subscrição): cada acionista recebe, na proporção das ações que tem, o direito de comprar as novas por um preço fixo, o preço de emissão, normalmente abaixo da cotação.
Parece um presente. Não é. As ações novas vão diluir quem já está dentro, e o direito é exatamente a compensação por essa diluição. Ele só vale alguma coisa se você fizer algo com ele antes do prazo. No último dia, vira zero.

O direito tem data de validade. Enquanto o prazo corre, ele pode ser usado ou vendido; depois, desaparece.
A conta, passo a passo
Imagine que você tem 100 ações a R$ 20,00, ou R$ 2.000. A empresa anuncia a emissão de 1 ação nova para cada 4 antigas, a R$ 16,00. Você recebe 25 direitos.
Depois da emissão, a empresa terá 125 ações para cada 100 que tinha, e o caixa terá recebido R$ 16 por ação nova. O preço tende a se acomodar na média: (100 × R$ 20 + 25 × R$ 16) ÷ 125 = R$ 19,20. Cada direito, então, vale cerca de R$ 19,20 − R$ 16,00 = R$ 3,20.

Exercer e vender deixam você com os mesmos R$ 2.000 de antes (mais o que você aportou). Não fazer nada deixa R$ 1.920.
Caminho 1, exercer. Você paga 25 × R$ 16 = R$ 400 e fica com 125 ações. A sua fatia da empresa continua a mesma. Faz sentido se você compraria o papel hoje, pelo preço de tela, com esse dinheiro.
Caminho 2, vender o direito. O direito é negociado na bolsa durante o prazo, com código próprio (em geral o código do papel com final 1 ou 2). Você recebe algo perto de R$ 80 e fica com 100 ações a R$ 19,20. Aceita a diluição, mas é compensado por ela.
Caminho 3, não fazer nada. Você fica com 100 ações a R$ 19,20: R$ 1.920. Perdeu R$ 80, 4% da posição, sem vender nada. O dinheiro foi para quem exerceu ou comprou o seu direito barato.
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