Como ler um gráfico sem ser enganado
O mesmo papel pode parecer foguete, montanha-russa ou tragédia, só mudando a janela de tempo, a escala ou o que entra na conta. Antes de tirar qualquer conclusão de um gráfico, faça quatro perguntas.

A ideia: o gráfico responde à pergunta que você fez, e você nem percebeu que fez
Um gráfico de preço parece objetivo: uma linha, um eixo, datas. Mas quem desenhou fez quatro escolhas antes de você olhar, e cada uma muda a história:
- O período: de quando até quando.
- O tempo de cada ponto: cada ponto é um dia, uma semana ou um mês?
- A escala: normal ou logarítmica.
- O que entra na conta: só o preço, ou o preço com os dividendos reinvestidos.
Quem entende essas quatro escolhas deixa de ser enganado pelo gráfico, inclusive pelos que aparecem em vídeos e manchetes, escolhidos a dedo para provar alguma coisa.
Primeira pergunta: qual é o período?
Veja a mesma PETR4, em três janelas que terminam no mesmo dia:

- No último mês: +12,7%. Parece um foguete.
- No último ano: +56% no preço, com uma queda forte no meio.
- Desde maio de 2008: praticamente zero no preço. Dezoito anos para voltar ao mesmo lugar, passando por uma queda de 90% no preço até janeiro de 2016 (R$ 49 para R$ 4,84).
Nenhum dos três está errado. Eles respondem perguntas diferentes. O primeiro mostra o momento; o terceiro mostra que comprar no pico de 2008 e esperar custou quase duas décadas de preço parado. Quem mostra só um deles está escolhendo a conclusão.
Regra: antes de olhar a linha, olhe a data do começo. Se começa num fundo, tudo parece ótimo. Se começa num topo, tudo parece péssimo.
Segunda pergunta: só o preço, ou o preço com os proventos?
Repare na linha tracejada do terceiro painel. É a mesma PETR4, com uma diferença: todo dividendo e JCP pago no caminho foi reinvestido no próprio papel. No preço, zero em dezoito anos. Com os proventos, +456%.
A diferença é o que a empresa pagou aos sócios, e ela é enorme num papel que distribui muito. Um gráfico só de preço conta a história de quem comprou e nunca recebeu nada, o que não existe.
As telas do Quantor mostram as duas coisas. O preço de hoje é o preço de tela, o da corretora. Mas o gráfico mensal da régua e os testes históricos usam o preço ajustado pelos proventos, porque é esse o retorno de quem teve o papel de verdade.
Terceira pergunta: cada ponto é um dia ou um mês?
O mesmo período pode ser desenhado com um ponto por dia (gráfico diário), por semana ou por mês (gráfico mensal). Isso é o tempo gráfico.
- No diário, você vê cada susto, cada notícia, cada dia de volatilidade. É muito ruído para quem pensa em anos.
- No mensal, cada ponto resume um mês inteiro. Os sustos do meio do mês somem e fica a direção.
É por isso que a régua do Quantor é mensal: ela decide uma vez por mês, com o fechamento do último pregão. A trilha de Análise técnica tem uma aula inteira sobre por que o gráfico diário mente mais que o mensal.
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