Médias móveis: 5 meses, não 200 dias
A média de 200 dias e a de 5 meses olham quase o mesmo pedaço do passado. A diferença é quantas vezes cada uma te obriga a decidir, e é isso que separa filtro de serrote.

A ideia: a média filtra a sua vontade de agir
Na trilha "Do zero" você viu que a média móvel "alisa" o preço. É meia verdade. A outra metade quase ninguém conta: o que uma média faz de mais útil não é suavizar o preço, é limitar quantas vezes você decide.
A média de 200 dias é a mais famosa do mercado. Ela é recalculada a cada pregão e, todo dia, faz a mesma pergunta: o preço está acima ou abaixo de mim? São umas 250 perguntas por ano. A régua do Quantor olha um horizonte parecido, cinco meses são cerca de 100 pregões, mas só pergunta no fechamento do mês. Doze perguntas por ano.
Parece detalhe. Não é.
As duas médias na mesma PETR4
A figura mostra os dois relógios na mesma ação, no mesmo período, de julho de 2022 a setembro de 2026:

Em cima, o preço diário (branco) e a média de 200 dias (amarela). Embaixo, o fechamento mensal (branco) e a média exponencial de 5 meses (azul). Cada traço laranja é uma troca de lado.
No diário, o preço cruzou a média de 200 dias 43 vezes. Repare nos aglomerados: em meados de 2024 e no fim de 2025, o preço ficou dias colado na média, cruzando para cima e para baixo sem ir a lugar nenhum. Cada cruzamento é uma ordem de compra ou de venda para quem segue a regra.
No mensal, a régua trocou de lado 18 vezes no mesmo período. Ainda é bastante (a PETR4 teve bons trechos de lateralidade), mas é menos da metade. Um papel que fura a média no dia 12 e volta no dia 26 nunca gerou sinal na régua.
Por que "exponencial"
A régua usa a média exponencial de 5 meses, que dá mais peso aos meses recentes. A conta é simples: a média nova é um terço do fechamento do mês mais dois terços da média anterior. Na prática, o mês que acabou de fechar pesa cerca de 33% na média; o anterior, 22%; o outro, 15%; e assim por diante, cada mês pesando dois terços do seguinte.
O efeito é que a régua reage a uma mudança de verdade mais rápido que uma média simples de 5 meses, sem ficar nervosa com um único dia ruim, porque o dado de entrada é o fechamento do mês.
Oito papéis, três réguas
A comparação vale para outros papéis? Contamos as trocas de lado em oito deles, no mesmo período:

Amarelo: preço cruzando a média de 200 dias. Roxo: média de 50 dias cruzando a de 200 (a "cruz dourada"). Azul: a régua mensal.
Em todos, o preço cruzou a média de 200 dias de 2,4 a 5,5 vezes mais do que a régua mensal virou. Na MGLU3 foram 66 cruzamentos contra 12 viradas.
A "cruz dourada" (quando a média de 50 dias cruza a de 200) troca ainda menos, porque compara duas médias lentas. Mas ela é conferida todo dia e reage tarde: quando a cruz aparece, boa parte do movimento já aconteceu. A literatura costuma chegar à mesma conclusão sobre cruzamentos de médias longas: funcionam mais como filtro contra quedas grandes do que como fonte de retorno extra. É exatamente o que a régua faz na PETR4 (aula 1).
O que acontece quando o prazo e o papel combinam
No bloco "Seguir a régua funcionou?", na Técnica, com o dinheiro na Selic quando fora e os proventos na conta:
- Ibovespa, desde 2000: régua +13,4% ao ano com pior queda de −21%; segurar +10,0% com −51%. Ganhou dos dois lados.
- MGLU3, desde 2011: régua +31,7% ao ano; segurar +4,9%, com uma queda de −98% no caminho. Não foi acerto de fundo, foi estar fora durante anos de destruição.
- ITUB4, desde 2009: régua +7,1% ao ano; segurar +14,1%. O contraexemplo, que a aula 6 abre por inteiro.
Onde engana
A tentação de ajustar. Se 5 meses foi ruim no ITUB4, por que não usar 8 meses nele e 3 na PETR4? Porque isso é sobreajuste: com um parâmetro livre e duzentos meses de histórico, você sempre encontra o número que teria funcionado no passado. Ele descreve a amostra, não o futuro. O Quantor usa o mesmo 5 em todos os ativos, por método, e aceita perder em alguns papéis para não se enganar em todos.
Atraso e alarme falso são o mesmo botão. Média curta sai rápido e dá muito sinal falso. Média longa dá pouco sinal falso e sai tarde numa queda rápida. Não existe configuração que resolva os dois; existe a escolha de qual erro você prefere pagar.
Regra que pisca é abandonada. Depois de uma sequência de sinais falsos, muita gente para de obedecer, e costuma parar logo antes do sinal que valia.
Na prática
1. Fixe o prazo antes de olhar o gráfico: decisão mensal, igual para todos os papéis.
2. Leia o lado junto com a distância. Estar 1% acima da média e 10% acima são situações diferentes: a primeira vira com qualquer mês fraco.
3. Olhe há quantos meses o papel está do mesmo lado. Uma alta de um mês ainda pode ser serrote; de quatro meses, já passou pelo filtro.
4. Não troque o parâmetro por papel. Se a regra não serve para aquele ativo, troque o ativo ou reduza o tamanho, não a regra.
No Quantor
Na Técnica da tela Analisar papel, o bloco "A régua" mostra o fechamento mensal contra a média exponencial de 5 meses, há quantos meses o papel está no lado atual, o preço em que ela vira e a folga até lá. Na PETR4, em 29/09/2026: alta há 3 meses, vira abaixo de R$ 44,18, folga de 11,1%. Os Rankings trazem a mesma régua, com a distância até a média, para todas as ações.
Média boa é a que te obriga a decidir pouco.
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